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terça-feira, 20 de março de 2018

"Na Memória dos Rouxinóis" de Filipa Martins

Com uma capa perfeita, sóbria mas belíssima, este livro despertou logo a minha atençāo. Nāo conhecia a autora, embora este tenha sido, segundo creio, o seu quarto romance. 

Fui conquistada pela escrita. Muito. Bonita, cuidada, quase poética, daquele tipo de se querer voltar a trás e reler, mas, ao mesmo tempo, crua e intensa. Foi um bom começo. Depois confesso que a história levou o seu tempo a entrar. Sou irrequieta nas leituras, o meu cérebro precisa de algo muito fluente para se manter sossegado e nāo divagar. Talvez por isso custou-me a permanecer no livro. Agora que a história faz parte de mim, precisava de voltar ao início e reler algumas partes. Posso ter perdido algo e nāo gostava que assim fosse...

Às vezes, há livros dificeis para nós. Nāo maus (esses largo-os, abandonando-os!), mas dificeis. E eu insisto na leitura, teimosa, porque quero saber o que se vai passar, como acaba. Com este foi um pouco assim! Fiz bem em continuar (outra coisa nāo me passou pela cabeça!).

Gostei, de igual modo, logo no início, de me ter equivocado com o sexo de um personagem, neste caso daquele que é também o narrador. Por nada ser explícito (como por exemplo os tempos verbais) intuí erradamente que o narrador era... Mas pronto! Nāo vos digo mais porque pode ser que sintam o mesmo que eu e que gostem de ser surpreendidos!

Passado e presente. A vida do narrador e a vida de Jorge Rousinol, "o Sete". Um biógrafo e um biografado. 

Terminado em 17 de Março de 2018

Estrelas: 4*

Sinopse
Um romance extraordinário, feminino (embora sobre homens), em torno de um matemático que encomendou a sua biografia antes de morrer.
Jorge Rousinol é um matemático galego, que sempre defendeu o esquecimento como o melhor veículo para a tomada de decisões acertadas. No final da vida encomenda uma biografia sua a uma casa editora. Estranha decisão para quem nunca quis recordar. O biógrafo escolhido acaba por ser alguém com quem privara décadas antes e que se vê, ele próprio, enleado em memórias moribundas.

É um romance em três tempos (o do passado do biografado, o do passado do biógrafo - e o do presente, que os une), que vê no arrependimento outra forma de se lidar com as recordações. Biógrafo e biografado conseguirão, em parte, o que pretendem: não se trata de esquecer, mas sim de escrever uma confissão. Uma escrita fantástica, inesperada, inovadora - de uma leveza surpreendente. Diálogos muito bem escritos, sensuais. Incursões pela magia dos números primos. Desenlace inesperado.

Cris

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