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segunda-feira, 12 de março de 2018

"A Filha" de Anna Giurickovic Dato

Há livros com os quais os nossos sentimentos nāo sabem lidar. Porque nos marcam, porque nos fazem doer o coraçāo, porque sāo tāo duros e pesados que, embora nāo nos larguem em pensamento, escrever sobre eles torna-se doloroso. Este livro faz-me sentir assim. E foi por isso, que acabada a leitura, nāo sabia o que escrever... Ainda nāo sei bem, na verdade, e por essa razāo vou deixar a pena fluir.

Há temas que magoam qualquer pessoa, penso. Excepto, por  exemplo, os perpetradores desse crime hediondo que é a violaçāo infantil. A forma como essa violência é ignorada e mantida sob o mesmo tecto, os sinais que querem ser reconhecidos mas que ninguém vê com clareza e sobre os quais ninguém age, os gritos silenciosos de quem é abusado, a vingança possível.

Mas o que mais me marcou neste livro e sobre o qual nāo vos posso falar sob pena de vos revelar a parte que mais me impressionou, foi a forma como essa violência sistemática mudou a vítima. E quando a vítima é uma criança e quando temos na nossa frente o Horror da transformaçāo, entāo fechamos as páginas do livro e pensamos, pensamos, pensamos.

Uma palavra apenas: muito bom!

Terminado a 5 de Março de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
Uma versão moderna de Lolita, ambígua e perturbante, que põe em causa todas as nossas certezas.

Ambientado entre Rabat e Roma, A Filha coloca-nos perante uma perturbante história familiar, em que a relação entre Giorgio e a sua filha Maria oculta um segredo inconfessável. A narrar tudo na primeira pessoa está, porém, a mulher e mãe Silvia, cuja paixão pelo marido a torna incapaz de reconhecer a doença de que este sofre.
      Enquanto observamos Maria, que não dorme durante a noite e renuncia à escola e às amizades, revoltar-se continuamente contra a mãe e crescer dentro de um ambiente de dor e de suspeita, vamos pouco a pouco descobrindo a subtil trama psicológica dos acontecimentos e compreendendo a culposa incapacidade dos adultos em defender as fragilidades e as fraquezas dos filhos.
      Quando, após a misteriosa morte de Giorgio, mãe e filha se mudam para Roma, Silvia apaixona-se por Antonio, e o almoço que organiza para apresentar o novo companheiro à filha despertará antigos dramas: Será Maria de facto inocente, será realmente a vítima da relação com o seu pai? Então, porque tenta seduzir Antonio sob os olhares humilhados da mãe? E seria a própria Silvia verdadeiramente desconhecedora do que Giorgio impunha à filha?
      Um livro que põe em causa todas as nossas certezas: as vítimas são ao mesmo tempo algozes e os inocentes são também culpados.

Cris

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