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domingo, 3 de dezembro de 2017

Ao Domingo com... Cláudia Cruz Santos

Nenhuma Verdade se Escreve no Singular é o meu primeiro romance e quando comecei a escrevê-lo não sabia ainda que se ia transformar num livro. Começou por ser só um conjunto de apontamentos num caderninho de notas que trazia na carteira e que aos poucos fui descobrindo que me ajudava a fugir do quotidiano e a fazer as pazes com a vida.
Nasceu por isso devagar e por acaso, suponho que como grande parte das coisas importantes que nos acontecem. Se quisesse dizer sobre o que é esta história, resumindo-a numa palavra, acho que escolheria “liberdade”. Está sempre em causa a sua procura, quer no plano colectivo de uma sociedade que pretenda ser mais humana, quer no plano individual dos desígnios de cada um.
Amália é o eixo deste livro e é uma juíza. Pelo seu tribunal passam pessoas que foram acusadas pela prática de crimes e que arriscam perder a liberdade se forem condenadas a uma pena de prisão. A juíza sofre cada vez mais com a dificuldade em encontrar uma única e inquestionável verdade que legitime essa decisão de prender, porque por trás de cada acontecimento existem pessoas com versões diferentes. Há demasiadas verdades, sobretudo quando Amália deixa de ver traficantes, homicidas ou ladrões e começa a confrontar-se com a diversidade dos respectivos percursos e com a especificidade dos vários problemas, perguntando-se se as respostas não deviam ser outras e mais diversas.
Por outro lado, na sua vida pessoal, Amália quer ser livre e estar com os outros, mas ainda não sabe como. Acredita que talvez possa encontrar algum sentido de resposta num quadro onde foi pintada uma mulher que está dentro de uma gaiola e que segura as chaves que poderia usar para se libertar. E vai à procura, seguramente dos outros, mas sobretudo de si mesma.
Também para mim este é um livro sobre a minha demanda pessoal de liberdade. Com ele escolhi, mesmo sem o saber no início, tornar-me em quem quero ser.

Cláudia Cruz Santos

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