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domingo, 5 de julho de 2015

Ao Domingo com... Pedro Prostes da Fonseca

O Assassino de Catarina Eufémia surgiu "a reboque" de um outro livro que lancei em 2014, sobre a fuga de Álvaro Cunhal do Forte de Peniche, em 1960. Num e noutro caso, comecei a "beber" da mesma fonte: o Arquivo Histórico da GNR.
No caso deste livro sobre a morte da camponesa de Baleizão, o desafio tornou-se maior, pois certa documentação, essencial para a produção da obra, estava dada como desaparecida: o processo judicial, nunca antes revelado, a que foi sujeito o autor do crime, o tenente João Tomás Carrajola.  
Essencial porque seria esta a informação que procurava... e que dava sentido à existência do livro.
Foi assim, com uma enorme frustração, que ouvi da parte de um elemento do Arquivo Histórico Militar (a quem me dirigi por sugestão do diretor do arquivo da GNR) que o processo judicial do tenente não se encontrava ali. Que tentasse junto do Arquivo Geral do Exército, contacto que resultou num segundo banho de água fria. 
Abreviando: o processo acabou por ser encontrado, com muita pressão exercida por mim e por um meu primo, militar na reserva, numa arrecadação pertença do Arquivo Histórico Militar, mas fisicamente localizada no palacete onde funciona o Arquivo Geral do Exército, em Chelas. 
Tinha finalmente em mãos o processo feito de documentos nunca antes divulgados, que colocavam a nu a forma como a Justiça funcionava no Estado Novo, além de revelarem informações sobre carrasco (Carrajola) e vítima (Catarina) até hoje desconhecidas. 
O Assassino de Catarina Eufémia é um livro passado num período obscuro, num Alentejo com fome, medo, mas também raiva. Raiva que era combatida pela GNR, sem olhar a meios.
Naquele dia 19 de maio de 1954, numa herdade às portas de Baleizão, a raiva tomou conta de um grupo de mulheres. A mais corajosa tombou. O homem que lhe tirou a vida teve a "chatice" de ir duas vezes a Lisboa responder a interrogatórios. Claro que foi absolvido. 
É o percurso até essa absolvição – de verdadeira farsa – que dou a conhecer, e que permite, finalmente, ao fim de 61 anos, que se feche o dossiê sobre a morte de Catarina Eufémia.
Pedro Prostes da Fonseca 

2 comentários:

  1. Mais um livro para engrossar a minha "gorda" wishlist!
    Beijocas
    Teresa Carvalho

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    Respostas
    1. O livro anterior também me parece muito interessante, Teresa! Bjinhos!

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