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segunda-feira, 22 de junho de 2015

"O Dia Em Que Estaline Encontrou Picasso Na Biblioteca" de Alice Brito

Primeiro a sua escrita. Acolhedora, comovente, vivida, ousada, onde pululam as figuras de estilo e onde a personificação tem um lugar de destaque porque, sendo tantas, nos encantam de tão belas que são. Certeira na escolha das palavras. Palavras que vão do oito ao oitenta. Mas todas cabem na história porque a ela pertencem. Uma história que nos conta a História. De Portugal, de Espanha, do mundo. Da guerra, da ditadura, ou melhor, das guerras e das ditaduras em prol de muito poucos, a desfavor de muitos Homens.

E se primeiro está a escrita de Alice Brito, logo a seguir vem a história que, de tão bem contada, nos encanta e nos prende. A narrativa tem dois planos temporais, passados simultaneamente antes e após a ditadura em Portugal . E dito desta forma reduzimo-la, infeliz e inevitavelmente, a algo já contado por alguém. Mas desenganem-se porque não é assim. Ela, a história, está pejada de factos verídicos, de costumes da época, de acontecimentos marcantes da História que, juntamente com (repito) a escrita única de Alice Brito, fazem deste romance uma doce surpresa para quem não leu seu anterior livro, As Mulheres Da Fonte Nova. Eu, que já esperava muito, fiquei de novo rendida. O próximo, espero que esteja para breve, não me escapa. Mesmo!

Adorei o narrador! De quando em vez opina, sugere, intromete-se na  narrativa, dá um ar de sua graça,,, Coisa pouca mas com graça.

Não posso deixar de referir como a apresentação deste livro na Fnac do Chiado me agradou e surpreendeu. Como gostava que todas as apresentações de livros assim fossem! Com o dom da palavra, os apresentadores (Helena Vasconcelos e Alfredo Barroso) deixaram a plateia interessada, motivada e, sobretudo, com vontade de permanecer. Mas, Alice Brito, quando chegou a sua hora de "botar" discurso, não se ficou pelos agradecimentos do costume... A sua escrita, a forma tão peculiar do seu discurso escrito, saiu-lhe pela boca e maravilhou quem a estava a ouvir. Deu para perceber o quanto faz (não se ficando apenas pelo desejo) para que o mundo seja melhor. Porque somos nós que o fazemos bom ou mau, não apenas os outros.


Como sei que quem por aqui anda sente o mesmo que eu ao pegar num livro, vou vencer a minha preguiça e colocar aqui um exerto, pequeno embora, deste livro:

"O livro é um espaço habitável. Há livros que até têm lotação esgotada. Tem de se esperar para entrar. Ou porque estão a ser lidos por alguém, ou porque ainda a cabeça não tem bilhete de entrada. Mas quando, por fim, se chega lá, que bem a gente se sente. Tão bem que nos assenhoreamos de cada frase, privatizamos capítulos inteiros, tornamo-nos amigos ou inimigos de personagens que de vez em quando nos visitam. Há até casos extremos de personagens que abusam eentram dentro de nós com grande á-vontade. Confundem-nos e confundem-se connosco."

Terminado em 21 de Junho de 2015

Estrelas: 6*

Sinopse

Juan e Maria Bento, as personagens centrais que constroem os seus próprios destinos, ficarão para a memória leitora como um par improvável e apaixonados já vistos - entre o anarquismo convicto de Juan e a militância inflexível de Maria Bento, que as ligações ao KGB disciplinam, há uma ponte incerta que oscila, baloiça e finalmente se verga ao peso da paixão.c

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