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segunda-feira, 25 de maio de 2015

"O Meteorologista" de Olivier Rolin

Existem pessoas que, através dos seus feitos, ficam conhecidas na História. Muitas, infelizmente, não pelos melhores motivos. Estaline foi uma delas. Outras há que passam despercebidas. Quantos feitos heroicos terão realizado sem que ninguém se tenha apercebido? Quantas acções terão sido abafadas porque ninguém soube o que se passou?

Este livro, um misto de romance e ensaio, fala-nos disso. De um homem que hoje quase ninguém conhece e que até só queria viver uma vida dedicada à família (mulher e filha de quatro anos) e ao conhecimento. Alexei Feodossevitch Vangengheim, o meteorologista, acreditava no "socialismo" e nos ideais do partido. Foi nomeado para a direcção do Serviço Hidrometeorológico Unificado da URSS. Membro do Partido, burguês comunista, é um fiel seguidor da sua ideologia. Acreditava que sendo competente servia o seu Partido e o povo.

A 8 de Janeiro de 1934, Varvara Kurgusova, sua segunda mulher, espera em vão à porta do teatro Bolshoi. Alexei é preso. Sem se dar conta o círculo foi-se fechando à sua volta. As prisões sucedem-se em catadupa. O terror estalinista envolve tudo e todos. Ninguém fica a salvo. Quem hoje prende, amanhã é preso.

Mesmo depois de ter sido injustamente acusado de conspirador, acreditava que o erro seria desvendado em breve. Mas os dias foram passando, levado que foi à força para as Ilhas Solavki, onde permaneceu por alguns anos. Pelas cartas apercebemo-nos que Alexei nunca perdeu realmente a fé no reconhecimento da sua inocência mas podemos questionarmo-nos até que ponto isso seria verdade...

Alexei não mais voltará. Não se apercebe que o seu desfecho já estava decidido por mais que envie cartas aos membros do Partido explicando a sua inocência e pedido que o erro seja reconhecido. Escreve também à sua esposa e envia desehos para a sua filha Eleonora de quatro anos, com o intuito de a ensinar e para que ela não o esqueça. São desenhos de herbários geométricos e aritméticos, de animais e bagas, de adivinhas que sua filha guardou ciosamente e que ilustram as últimas páginas deste livro. Lindos e cheios de pormenores.

São partes dessas cartas que se encontram neste livro e alguns dos desenhos também. É parte da vida de um inocente que aqui se retrata que vale a pena ler. Um dos muitos de que a História não faz juz.

 Aconselho.

Terminado em 18 de Junho de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

A sua ocupação eram as nuvens. Sobre a imensa extensão da URSS, os aviões tinham necessidade das suas previsões para aterrar, os navios para abrir caminho através dos gelos, os tratores para lavrar as terras negras. Na conquista do espaço que se iniciava, os seus instrumentos sondavam a estratosfera, ele sonhava domesticar a energia dos ventos e do sol, acreditava «construir o socialismo», até ao dia de 1934 em que foi detido como «sabotador». A partir desse momento a sua vida, a de uma vítima por entre os milhões de outras do terror estalinista, foi uma descida aos infernos.
Durante os anos no campo de concentração, e até à véspera da sua morte atroz, ele enviava à pequena filha Eleonora desenhos, herbários, adivinhas. É a descoberta dessa correspondência destinada a uma criança, que ele não mais voltaria a ver, que me levou a investigar sobre o destino de Alexei Feodossevitch Vangengheim, o meteorologista. Mas também a convicção de que estas histórias de um outro tempo, de um outro país, não são tão longínquas como poderíamos pensar: o triunfo mundial do capitalismo não se explica sem o fim terrível da esperança revolucionária.
Olivier Rolin

2 comentários:

  1. os personagens são reais ou são ficção?

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  2. Acabei de ler. Gostei muito! Uma excelente abordagem ao maior "flop" da ESPERANÇA dos povos de todo o planeta na construção (frustrada) de uma sociedade sem classes. Que deu no que deu...

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