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segunda-feira, 9 de março de 2015

"Últimos Ritos" de Hannah Kent

Recomendado por uma amiga, este romance de estreia de Hannah Kent conquistou-me logo ao fim de poucas páginas lidas.

Na capa, uma dica de como iria ser o conteúdo: "Os últimos dias de uma jovem acusada de homicídio na Islândia de 1829". Ora, assim sendo como posso ter passado toda esta leitura esperando um outro final? Esperando que não fossem mesmo "os últimos dias"? Só o posso explicar recorrendo à forte empatia que senti por essa jovem, Agnes, de seu nome! E isso deveu-se sobretudo à escrita envolvente da autora e aos pormenores que presentimos verídicos em toda a história (e que no final verificamos estarem corretos) que nos fazem esperar uma mudança ao fim anunciado. A tensão a que o leitor é sujeito por não saber se a protagonista é ou não culpada do crime que ē acusada, leva a não querer levantar os olhos desta narrativa tão empolgante!

Alternando capítulos com um narrador indefinido, escrito na terceira pessoa, e outros em que é a própria Agnes a contar a sua história, este livro consegue transportar-nos para a Islândia de 1800 e fazer-nos vivenciar os últimos dias de uma prisioneira acusada de assassinar dois homens. A ficção misturada com a veracidade de factos que foram, percebe-se, arduamente pesquisados pela escritora, é feita com mestria.

A descrição do estado físico e psicológico de Agnes é fabulosa. Podemo-nos confrontar com os seus sentimentos de revolta, as suas dores físicas, as suas dificuldades em aceitar o seu veredicto. Paralelamente, as descrições das personagens circundantes que rodeiam Agnes nos seus ultimos seis meses de cativeiro, também foram objecto de um cuidadoso retrato tanto físico como psicológico: a família que, contrariada, a acolhe em sua casa; o reverendo que foi escolhido para a acompanhar espiritualmente nos seus últimos dias, todos alteram as suas opiniões e sentimentos face à condenada.
A Islândia de 1829 aqui retratada espectacularmente: o seu clima agreste e inóspito, a escassez de bens que obriga a um trabalho duro, as paisagens sem fim... E por fim um louvor para a escolha da capa. Capa que é, não posso deixar de dizer, de uma beleza estonteante que apetece fixar por muito tempo!

Os meus parabéns a este romance de estreia de Hannah Kent! Recomendo vivamente.

Terminado em 8 de Março de 2015

Estrelas: 6*

Sinopse

1 comentário:

  1. Uau... Fiquei mesmo curiosa, parece ser o meu tipo de literatura :D
    Vai já para a lista de futuras leituras ;)

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