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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A Convidada Escolhe: A Rainha Ginga

A Rainha Ginga de José Eduardo Agualusa pode dizer-se que é um romance de ficção onde a história se intrometeu bastante o que se verifica pelos muitos factos históricos que conduzem a narrativa. A história é contada por um narrador fictício, um padre pernambucano, com raízes africanas e portuguesas, em crise de fé e de identidade que se encontra ao serviço de Ginga ou seja D. Ana de Sousa que viveu ente os séculos XVI e XVII. A Rainha Ginga cujo título real "Ngola" estará na origem do nome "Angola", teve na realidade secretários, quase todos padres, pois era de uma classe culta. Foi uma mulher extraordinária e lutadora, que sucedeu a seu irmão, hábil diplomata e líder carismática fez uma aliança com o povo Jaga casando com o seu chefe, combateu vários reinos, alargou o seu próprio território e fez frente aos portugueses, sempre que estes não cumpriam os acordos, relativamente aos chamados presídios ou à recolha de homens com destino ao Brasil ou ainda quanto aos tributos exigidos aos sobas. São as sangrentas lutas entre os naturais e portugueses, com seus avanços e recuos e em ambiente muito próprio que nos vão sendo contadas pelo padre pernambucano que a certa altura já não podia ser padre pois a sua efígie ardera na fogueira em Portugal por ordem dos jesuítas. Era um período em que a afirmação dos portugueses naquela região se procurava consolidar e crescia rapidamente, mas o problema do florescente comércio de escravos, que desbastava as fileiras dos exércitos indígenas, é um dos motivos de indignação da fantástica Rainha, que se veste de homem para melhor se impor e exige dos homens com quem se deita que se vistam de mulher para melhor reforçar a sua pseudo masculinidade. Exige também que seja chamada de Rei e não de Rainha e é nessa condição que lidera as suas tropas e luta à frente dos seus homens. Várias diligências para conseguir a paz nunca deram resultados duradoiros pelo que os combates ferozes com grandes perdas humanas se repetiam.
A dada altura da história a Rainha Ginga, já então com aliados poderosos em reinos vizinhos, para atingir os seus objetivos que era expulsar os portugueses, aliou-se aos holandeses que à época ocupavam boa parte da Região Nordeste do Brasil. Com o seu auxílio, os holandeses conseguiram ocupar Luanda, onde permaneceram alguns anos.
Após anos de lutas e com o fim da dinastia filipina e já no reinado de D. João IV o acordo de Portugal com os Países Baixos deu uma reviravolta nos acontecimentos, os holandeses foram expulsos de Angola, Ginga faz um tratado com os portugueses e quando morre com idade muito avançada, sem nunca ter sido capturada, já era na altura amiga dos portugueses e da Santa Madre Igreja.
Um livro muito cativante que nos dá a conhecer factos e pormenores interessantíssimos da história da época da expansão, dos usos e costumes, de então, naquelas regiões e de seus povos e que é enriquecido pela fértil e bem contextualizada imaginação do autor.
Maria Fernanda Pinto

1 comentário:

  1. Bom dia!!!
    Ainda não consegui ler nenhum livro de Agualusa para adulto, mas adoro as suas histórias infantis. Vamos ver se é este ano!!!
    Beijinhos e obrigada pela partilha

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