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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Montedor" de J. Rentes de Carvalho

Uma amiga minha prefere ler os livros de cada autor pela ordem em que foram escritos. Atē agora, isso não tem sido relevante para mim. Confesso que cheguei a achar uma obsessão de quem é leitor compulsivo... Mais uma a juntar a tantas outras que, quem sofre deste "mal", conhece muito bem!

Porém, sendo "Montedor" o primeiro livro de Rentes de Carvalho, faz todo o sentido lê-lo antes dos outros. Foi isto que senti depois de acabar este livro. Já tinha lido "Mentiras e Diamantes" e gostei muito da sua escrita deliciosa. O enredo prende completamente o leitor. Para ler a seguir tenho "Os lindos braços de Júlia da Farmácia", de quem li comentários muito bons.

Confesso que, talvez por distracção minha, este livro não me prendeu tanto como o anterior. O personagem principal, embora caracterizado de forma soberba, irritou-me um pouco com todo o seu descontentamento, quase desprendimento, perante a vida! Buscando um futuro e, no entanto, sem futuro algum!

Escrito em 1968, adivinha-se na escrita desta obra-estreia de Rentes de Carvalho uma inquietação que leva o ser humano a querer ir mais longe! A comprová-lo estão os muitos livros publicados em Portugal e que pretendo ler num futuro próximo.

Terminado em 19 de Setembro de 2014
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Estrelas: 4*

Sinopse

Ao longo das gerações, são sem conta as famílias portuguesas em que há alguém como o triste protagonista de Montedor: rapaz sem futuro, com um passado apenas de sonhos, arrastando-se num presente que é uma verdadeira morte lenta.
Mau grado a simplicidade das personagens e das cenas, há no romance uma tensão permanente, e pode-se com verdade dizer que quase cada página encerra um momento dramático ou antecipa uma tragédia, a qual, talvez porque raro chega a acontecer, cria um desespero cinzento, retratando bem, e cruamente, os medos e o sofrimento da sociedade portuguesa, passada e presente.
Publicado pela primeira vez em 1968, Montedor é o romance de estreia de J. Rentes de Carvalho, sobre o qual escreveu José Saramago: «O autor dá-nos o quase esquecido prazer de uma linguagem em que a simplicidade vai de par com a riqueza (...), uma linguagem que decide sugerir e propor, em vez de explicar e impor.»

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