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domingo, 29 de junho de 2014

Ao Domingo com... Marco Taylor

Foto de Alexandre Paixão
Respondo sempre que não sou escritor.
Tenho um livro publicado, outro a caminho, mais dois a três na cabeça, mas de facto não o sou porque não o sinto (ou porque sei pouco da gramática).
Mas insistem em chamar-me escritor.
Não o digo por falsas modéstias mas não o sou.
Talvez goste de negar porque assumi-lo seria estagnar. Resumir-me a uma condição. Prefiro dizer que escrevo livros. Retifico: neste momento escrevo livros. Apetece-me agora. Ah, e ilustro-os. Gosto de desenhar como gosto de escrever. Desenho há bem mais tempo do que escrevo. Faço porque me dá prazer. Nunca foi um sonho. Aconteceu.
Daqui a dez anos, tenho a certeza que terei vários livros publicados, quase todos para crianças porque assim posso também desenhar imenso. Como tenho a certeza que não o farei o resto da vida, talvez o faça durante uma década, depois serei cozinheiro ou malabarista: há tanto para fazer e apenas uma vida.
Numa apresentação do Não, Este Livro Não Tem Nome (Edições Vieira da Silva, outubro de 2013), chamaram-me sentidor. Gosto mais de sentidor, faz-me mais sentido. As palavras são apenas o veículo para o que quero contar, podia ser uma curta-metragem, uma pintura ou uma música, mas agora são as palavras e as imagens que as acompanham que me fazem expressar.
Há uns meses ganhei um concurso literário. Antes de serem divulgados os textos vencedores na página de internet do organizador, alguém desejava que estes fossem bons, porque só podiam ser bons, porque essa pessoa, porque essa pessoa, tinha feito um retiro de três dias numa aldeia perdida para escrever o dele. O meu, o meu, o tal que ganhou, escrevi-o em meia hora, de rajada, numa manhã, penso que de um sábado: acordo, ligo o computador, vejo uma imagem que me inspirou e desato a escrever. Não há grande técnica no que escrevo, pelo menos evidente. As palavras saem-me.
Mas terá pouca qualidade o que escrevo?
Penso que tem piada, que é agradável de se ler, que não nos é assim tão indiferente, que são histórias que nos tocam e isso para mim é o mais importante. As palavras gordas enchem-nos mais e fazem mais estragos.




Em finais de agosto, nas Palavras Andarilhas, em Beja, vou fazer o pré-lançamento de A Árvore Que Paria Meninos, pela Alfarroba, um livro para a infância. Depois correrei o país a mostrá-lo. É um livro bonito, digo eu. Espero pela vossa opinião: www.facebook.com/marcotaylorautor.
Marco Taylor

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