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terça-feira, 10 de junho de 2014

A Convidada Escolhe: A Sétima Porta

Uma vez mais, Richard Zimler voltou a cativar-me com a sua mestria a contar histórias. Mais uma vez me surpreendeu com um livro onde há factos históricos, mistério, suspense, romance, ficção, e onde se revela a sua enorme sensibilidade.
A história é-nos revelada por Sophie, uma jovem Alemã católica, que vive com os seus pais e irmão num bairro de Berlim onde a sã convivência entre católicos e judeus é uma realidade que em breve será destruída.
Correm os anos 30 e a tomada do poder pelo partido nazi vai destruir a normalidade existente nas vidas dos berlinenses. A perseguição dos judeus e das pessoas com problemas físicos ou cognitivos vai passar a dominar as vidas de todos.

O medo e a necessidade de protecção da família levam muitas pessoas á mudança das suas convicções políticas. Nos conflitos políticos e nas guerras a história constatou e continua constatar este facto. Neste livro o pai de Sophie, vai passar de comunista convicto a militante do partido nazi, e Sophie terá que lidar com a dolorosa "perda" do pai que sempre conheceu para passar a conviver com alguém que não entende. Passará a ter de guardar segredo das suas actividades, mesmo as simples festas e encontros com os seus amigos de sempre, que agora se tornaram indesejáveis e mesmo perigosos aos olhos da sua família e da sociedade que rapidamente se altera.

O afastamento afectivo do pai, vai explicar, na minha opinião, a relação amorosa que Sophie vai desenvolver com um homem muito mais velho, ao mesmo tempo que mantém o seu namorado de infância numa dualidade de sentimentos dramática.

Para mim foi uma surpresa que o autor tenha criado uma rapariga tão livre nos seus relacionamentos e atitudes tendo em conta a época em que a história decorre.

É por intermédio de Isaías Zarco, (futuro marido e pai do filho de Sophie), parente afastado de Berequias Zarco, que este livro nos leva de volta ao misticismo do Último Cabalista de Lisboa.
Embora noutra época, é retomada a perseguição aos judeus mas agora noutro palco, na Alemanha de Hitler.

As fogueiras da inquisição agora substituídas pelos programas de esterilização e pelas câmaras de gás dos nazis que se afadigaram a exterminar os que eram considerados "inadequados" para os padrões da raça ariana pura, como por exemplo os doentes mentais, os deficientes, os portadores de algum atraso cognitivo, (mesmo que fossem cristãos como o irmão de Sophie) e, claro, os judeus.
Gostei muito.

Marília Leonardo Gonçalves

2 comentários:

  1. Deixo aqui o meu registo e percepção deste livro que, tal como os demais de Richard Zimler, tanto me tocou.
    http://poeiraresidual.blogspot.pt/2011/02/setima-porta-richard-zimler.html
    Boas leituras

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    Respostas
    1. A Marília e eu somos fãs da escrita de Zimler! Bjinho

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