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quarta-feira, 7 de maio de 2014

"Os Demónios de Álvaro Cobra" de Carlos Campaniço

Falar de um livro sobre o qual todos dizem maravilhas não é tarefa fácil. O amigo que mo emprestou, adorou! O pessoal da Roda dos livros que o leu, também.

Pois é! A mim não me conquistou à primeira. Não que a escrita do Carlos seja inferior aos livros bons que tenho lido. Antes pelo contrário! Quem me dera escrever assim: as palavras parecem possuir uma naturalidade e simplicidade que nos cativam, embora aplique termos que não são tão correntes assim... Trabalhar as palavras mas fazer com que elas soem aos outros como "naturais", não é para todos.

A sua imaginação não tem limites e o irreal torna-se visivel aos nossos olhos como se pudesse na verdade existir. Hão-de convir que alguém "que sofre de febres altas que até incendeia os lençóis" não é uma personagem que podemos encontrar no dia-a-dia! E com personagens tão peculiares, as peripécias surgem em catadupa.

Mas... Algo me manteve alheada nas primeiras 150 páginas desta obra. Não consegui mergulhar no livro e esquecer o que me rodeava tão depressa quanto esperava. Às vezes as expectativas muito altas pregam-nos rasteiras e foi isso que aconteceu. Só os comentários positivos de amigos me fizeram continuar...

Mas... Ainda bem que se deu um segundo "mas"! Finalmente consegui ler algumas páginas sem me aperceber da passagem das folhas. O milagre da leitura tinha acontecido!

E cheguei ao fim com uma sensação estranha. Da leitura desta história toda não posso concluir que seja um livro alegre e que nos alente a esperança de dias melhores, embora a imaginação e a magia que nele está contido nos façam sorrir a espaços curtos. Soube-me a pouco, porque depois de me ter esquecido do que me rodeava, queria mais páginas de magia e já não as tive por muito mais tempo!
Quero ler o novo livro do autor que acaba de sair. Será que "Mal Nascer" me vai conquistar logo de início?

Terminado em 3 de Maio de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse


A aldeia de Medinas seria um lugar bem mais aprazível não fosse contar-se entre os seus habitantes Álvaro Cobra, um lavrador que atrai fenómenos sobrenaturais e tão depressa é tido por bruxo como por santo: não chorou ao nascer, com um mês já tinha dois dentes, consegue ouvir a Terra girar sobre si própria, tem uma cadela que adivinha o tempo e, além disso, já morreu duas vezes - mas ressuscitou, e desde então um bando de grifos faz ninho no seu telhado. A sua estranheza impediu-o, porém, de arranjar mulher, mas o encontro com a filha de um nómada que vende torrão doce na Feira de Setembro promete mudar esse estado de coisas, ainda que a união traga surpresas (nem sempre agradáveis) quer ao próprio lavrador, quer às mulheres da sua família: a bisavó Lourença, que conta cento e cinquenta anos mas guarda invejável lucidez; a mãe, que consegue trabalhar a terra com uma mão e cozinhar com a outra; ou mesmo Branca Mariana, a irmã excessivamente febril que vive prostrada numa cama onde os lençóis chegam a pegar fogo. Do casamento atribulado, nascerá Vicente, o filho de quem se espera uma existência completamente distinta da do pai. Porém, tratando-se de um Cobra, nunca fiando…


Ao ficcionar uma aldeia alentejana em finais do século XIX - na qual judeus, árabes e cristãos andam às turras e os mitos ganham terreno à realidade -, Carlos Campaniço oferece-nos uma galeria de personagens inesquecíveis, que vão de um anarquista à dona de um bordel ambulante, e recicla de forma original o realismo mágico para revisitar as virtudes e os defeitos das pequenas comunidades rurais do nosso Portugal.

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