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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

"Os Olhos de Tirésias" de Cristina Drios

Comecei a ler este livro porque a sinopse me tinha agradado mas ao fim de algumas páginas outro livro chamou por mim e larguei-o temporariamente (achei o início um pouco mais confuso do que estava à espera). Sim, temporariamente porque sabia que ia gostar. O tema agradava-me mas a mudança com frequência de narrador e do lugar e tempo da narrativa fez-me dispersar mais do que queria. Achei por bem intercalar com outro (li Fome de Knut Hamsun) e pegar nele depois.

Às vezes basta isso para pegar, posteriormente, na leitura e ser aborvida por ela. Os personagens variados encaixaram-se na perfeição na acção e passaei a saltitar do presente para o passado com gosto. Fiquei a conhecer a vida de um soldado português na Primeira Guerra Mundial (achei o conteúdo perfeitamente verosímil na sua maior parte) vista com os olhos de uma neta que nunca chegou a conhecer. 


Pouco tenho lido sobre esta guerra nos romances que me vão chegando às mãos e tenho pena que assim seja. Creio que a autora descreveu bem os cenários de guerra, a fome, as angústias e os horrores por que passaram quem a vivenciou.


Adorei os personagens (a bela enfermeira Georgette, Alvin Martin com os seus sonhos premonitórios, o gigante português Mateus Mateus e Emily, o pequeno ilusionista que roubava os coelhos para o truque da cartola) e tive pena de os deixar ir... Todos eles descritos com simplicidade e clareza, em linhas paralelas que se cruzam (sim, cruzam!) a meio da narrativa captando a nossa atenção.


Uma história contada e inventada por uma neta que encontra uma foto desse avô desconhecido, soldado do Corpo Expedicionário Português e que muitas vezes suspeitamos tratar-se da própria autora, Cristina Drios. Nada em concreto nos leva a pensar assim... Uma suspeita que me agradou, muito embora na badana do livro nada refira sobre esse aspecto, que, portanto, creio não ser verdade.


Uma escrita cuidada, apelativa. Um livro que recomendo. Uma escritora a reter! Uma leitura que nos leva a pesquisar... Como gosto!


Terminado em 7 de Janeiro de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

A descoberta de um retrato daquele avô cuja história a família sempre encobriu - Mateus Mateus, o gigante de olhar estranho que partiu, no contingente português, para a Flandres durante a Primeira Guerra Mundial - é o pretexto que a narradora encontra para, simultaneamente, escrever um romance e se afastar de um casamento que parece condenado ao fracasso. Para saber mais sobre o passado desse desconhecido, parte, também ela, para a propriedade de La Peylouse, em Saint-Venant, que alojou o Estado- Maior português nos anos 1917-1918 e da qual o avô, depois de ter servido na frente como maqueiro e coveiro, foi enviado numa missão de espionagem, acabando prisioneiro dos alemães. No bizarro hospital onde passa os meses que antecedem a batalha de La Lys (o mesmo onde virá a ser internado um cabo alemão chamado Adolf, atacado de cegueira histérica), Mateus Mateus cruza-se com figuras inesquecíveis: Alvin Martin, um inglês albino dado às premonições; Hugo Metz, o médico que usa métodos de inspiração freudiana para interrogar os pacientes; o órfão Émile Lebecq, pequeno ladrão e ilusionista amador; e, sobretudo, Georgette Six, a bela enfermeira francesa que perdeu o noivo na guerra e pela qual o português se tornará um homem diferente. E, porém, à medida que a neta de Mateus Mateus vai desfiando essa história - num jogo em que a realidade se torna indestrinçável da ficção -, também a sua vida é sacudida por uma paixão - e só o encontro com Cyril Eyck e o seu bisavô centenário trará a chave para os enigmas do próprio romance.

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