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domingo, 15 de dezembro de 2013

Ao Domingo com... Isa Pontes

Escrever………..Escrever…………..Escrever……… Uma fome estranha, feita de ansiedades desconhecidas…
Muito pequena, escrevia em papeis que guardavam e andam por aí, amarelados.  Minha mãe até dizia que para me calar, quando bebé, me sentava num bacio e me dava um livro e eu… blá…blá…blá ….
É a minha grande paixão. Pela casa andam soltos papeis e imensos livros onde me encontro e me formo como mulher. 

Quem sou?

Isa Pontes – pseudónimo. Fui para Angola aos 9 anos; vivi,vivi,vivi muito naquela terra amada que fez de mim “ Milionária”. Voltei para terras lusas em 1975, viúva, com cinco filhos. Tinha 34 anos. Hoje, passados  séculos e mares de batalhas, tormentos e grandes vitórias, continuo agarrada aos livros e à escrita. Existem publicações várias, tanto em prosa como em poesia, por vários jornais e livros de poesia colectiva. Alguns prémios, tanto em prosa, como em poesia. O meu primeiro livro foi publicado este ano, em Junho; é uma autobiografia; o título “Milionária”. Preparo a edição de um novo livro, para o próximo mês de Junho que será de crónicas.

E para a Cris, em forma de apresentação, deixo-lhe uma carta ( o próximo livro, além de crónicas, terá várias cartas escritas por Raquel – que sou eu escrevendo para pessoas imaginárias.

Foi a querida Teresa Carvalho que me apresentou no seu Blogue. De mim para si um grande abraço na esperança de que esta amizade literária me faça feliz e me enriqueça ainda mais.

Luísa – Isa Pontes
                                                       



                                                                                                   JINGUNAS

Daniel

Olha, hoje o dia teve contornos invulgares, mágicos. Por isso corro a contar-te o que aconteceu.
As jingunas voltaram outra vez, hoje ao fim do dia, quando as rôlas deixaram de se lamentar e todos os outros pássaros regressaram aos ninhos; muitos entre a palmeira gigante do jardim e outros dentro da romanzeira frondoza e fresca. Já ontem, à mesma hora me tinham visitado.  Andam loucas as jingunas, de imensas asas transparentes, e muitas vêm bater-me no rosto ou pousar-me nos braços. Tem chovido muito e a terra barrenta parece pápa e é assim que elas aparecem.
E também é assim que eu atravesso todo este continente em direção ao norte, para Malanje. Depois de horas de trovoada e chuva intensa eu via formar-se na minha rua - a velhinha Rua Serpa Pinto, já no comecinho da Maxinde -, rasgos de terra vermelha, como se fossem veias de um corpo misteriosamente presente e envolvente... África... Tu sabes...
Passadas horas, as jingunas chegavam e voavam... voavam... tontas, à volta dos candeeiros da rua. Então, a criançada negra saltava de mãos abertas e comiam-nas ali, assim mesmo, por entre gritos de gozo, como se apanhassem um maná caido do Céu.
Não adivinhava, não podia, que todo aquele encantamento, toda aquela magia, acontecendo num pedaço da minha rua, haveria de servir, tantos anos depois, como alimento, também, da minha alma solitária aqui ao sul, numa África que já não conheço, que foi desventrada de todos os seus mistérios e que de jingunas já não entende nada...
Vê lá tu o poder dos pequeninos insetos! Foram eles que vieram animar o meu dia carregado de  desânimo, angústia e saudade, iluminando a minha mente, buscando lá bem no tempo os dias férteis  de uma África que foi minha e que me fez assim numa mulher que, estranhamente se alimenta de jingunas.
Um beijo 
RAQUEL
África do Sul, 9.2.2012                                               

Isa Pontes



4 comentários:

  1. A minha querida Isa Pontes... Uma mulher linda e duma grandeza rara!
    Beijinh às duas (Cris e Isa), amigas que muito estimo!

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  2. Obrigada Cris e obrigada Macy que não sei quem será... Esta " Carta" é muito sentida e traz-me muitas recordações. Se, por acaso quiserem podem espreitar o meu Blogue Isapontesdobosque.blogstop.pt . Abraços.



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    Respostas
    1. Isa, a Macy é a Teresa Carvalho...

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    2. Óh!! A Teresinha vai dar cabo de mim. Beijo, obrigada Cris.

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