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domingo, 27 de outubro de 2013

Ao Domingo com... Carina Rosa

Bem, o que dizer sobre mim? Prefiro falar de outras pessoas, criar outras personagens e outras histórias de vida, embora cada uma delas tenha um pouco de mim. Naci em 1986, em Lisboa, e vivo no Algarve. Licenciei-me em Ciências da Comunicação e trabalhei em
jornalismo de imprensa, numa rádio e numa televisão online, mas actualmente, dou aulas de Ginástica Acrobática, fruto de uma vida de 15 anos no meio, que me levou à Selecção Nacional de Trampolins e Desportos Acrobáticos, tendo participado em várias competições internacionais.  A escrita é um mero hobby que eu considero profissional. Se assim não fosse, nunca veria uma obra terminada. Quem escreve, sabe os meses que são necessários para ver uma obra concluída e aprimorada, tal como a desejamos, e só tenho pena que seja uma “profissão” tão menosprezada. Posso dizer que, de todos os trabalhos que já tive, é o mais difícil e, simultaneamente, um dos que me dá maior prazer, e penso que só pelo prazer de criar e de escrever podemos levar esta arte em frente.
Sou muito tímida, reservada e isolo-me com facilidade. Perco-me muitas vezes em pensamentos, em histórias e em pessoas que nem sequer existem...até passá-las para o papel e dar-lhes vida. É uma coisa que faço muito bem: pensar na vida, demasiado, até. Talvez tenha surgido daí a minha vontade de escrever.
A escrita é uma paixão de criança, posso dizê-lo, que começou na leitura desenfreada de livros infantis, numa paixão assolapada pela Língua Portuguesa e por tudo aquilo que tivesse a ver com gramática. É uma coisa que adoro: letras e o extravasar de sentimentos através de palavras escritas. É uma sensação diferente e mais intensa, quando lemos e imaginamos o mundo à nossa maneira: as descrições podem ser as mesmas, de leitor para leitor, uma paisagem, o rosto de alguém ou o som de uma gargalhada, mas cada pessoa vai transformar tudo isso numa visão muito sua, muito íntima, que ninguém poderá copiar. É a magia dos livros, que não existe em nenhum outro lugar, o poder da imaginação e de sermos felizes ao viajar através da mente, longe do corpo e das nossas necessidades básicas...livres, no fundo. 
Não sei se a maioria dos escritores pensa o mesmo, mas nunca me senti realmente integrada na sociedade, embora me esforce por isso. Sempre fui diferente e não sei exactamente as razões dessas diferenças. Apenas posso dizer que falo pouco, leio e escrevo muito, e sou demasiado séria até para o meu próprio gosto. Acho que puxo um pouco para o drama e os meus livros transmitem um pouco isso. É o que mais gosto de escrever: falar sobre sentimentos, cenas românticas ou, por oposto, problemas, dúvidas existenciais, passados recalcados e futuros incertos. 
Desde muito nova que gosto de passar para o papel aquilo que sinto, primeiro foi na forma de poemas de amor, depois em romances falhados, que eu escrevia e apagava em seguida, por um único motivo que tem movido toda a minha vida: insegurança. Tenho uma extrema baixa auto-estima e não me orgulho disso, nem sequer compreendo de onde vem ela, mas existe e acaba comigo. Foi preciso um grande esforço da minha parte para que eu me pusesse de pé, erguesse a cabeça e seguisse em frente, sem medos e alguma coragem que me trouxeram onde estou hoje. Costumo dizer que podia ter começado a escrever muito mais cedo, mas faltou-me coragem. Nunca é, porém, tarde para começar, e penso que é necessária alguma maturidade para escrever, pelo que o momento em que as coisas acontecem, só pode ser o certo. 
Porque é que escrevo? Escrevo porque penso muito, imagino muito e quero muito criar e viver outras vidas. Escrevo porque viver uma vida não me basta, e também leio pelo mesmo motivo. Escrevo porque quero partilhar com os outros aquilo que sinto, mesmo no meio da ficção dos meus personagens. Escrevo porque adoro letras e palavras e porque quero mostrar algo muito meu, para que todos os desconhecidos me conheçam de alguma forma. Sobretudo, adoro o fluir dos pensamentos e dos sentimentos, a dúvida e a certeza de uma vida que poderia ser melhor ou pior. Gosto de ter o poder de criar, de mudar...de tornar feliz, não apenas os meus personagens, mas os leitores que se revêm neles. 
Sobre os meus livros, «O Intruso» é o mais pequenino. Sim, é também o mais velho, mas
será sempre o mais pequenino. Costumo chamá-lo de livrinho de bolso, porque cabe numa “algibeira” e tem uma história curta, que eu escrevi num mês e meio de loucura. Sim, ainda hoje o acho uma loucura. Não fazia ideia do que estava a fazer quando o escrevi, mas acabou por sair melhor do que esperava e levou-me àquilo que realmente interessa: críticos literários, leitores-beta que me têm ajudado imenso naquilo que tenho escrito depois. Aprendi muito e também isso devo à minha coragem de escrever «O Intruso». Posso dizer que cada vez gosto mais de escrever, porque agora sei o que estou a fazer. Ao fim e ao cabo, «O Intruso» é a minha cara: temos uma personagem principal cheia de problemas, de medos e inseguranças, uma fraca auto-estima e um medo de amar que ultrapassa todas as barreiras. Tem um pouco a ver comigo, a minha Sara, assim como a história em si: falo de espíritos, fantasmas que a atormentam, um tema extremamente interessante que, confesso, sempre me fascinou. Depois temos Martim, um amor calmo e sereno, que surge no seio da tempestade, um toque de tranquilidade que dá alguma luz à história. Um personagem simples, sem grandes problemas, que me deu pouco trabalho e de quem eu continuo a gostar. O Rodrigo é, claro, o mau da fita, mas deu-me prazer ver o ódio e o amor dele, dois sentimentos distintos e iguais em peso e medida, pela sua intensidade. A Juliana foi uma surpresa, até para mim, e continuo a considerá-la o grande trunfo da história.  
«As Gotas de um Beijo» é o meu segundo romance, não o segundo que escrevi, mas o segundo que publicarei, no final de Novembro deste ano. É uma história mais madura, muito diferente do «Intruso», em tema e em forma de escrita, e admito que o escrevi três vezes, até chegar ao ponto em que está. Fala de um homem de 45 anos, David, divorciado
e solitário, agarrado à única coisa que possui: um stand de automóveis que é a sua paixão.  Afastado da ex-mulher e dos filhos, acabava por ligar-se inevitavelmente à melhor amiga de sempre, Diana, cuja relação acaba por evoluir muito mais do que ambos gostariam. Só que a chegada de Laura muda tudo. Laura é uma mulher atraente e jovem que vai trabalhar para a joalharia ao lado do stand e acaba por partilhar com David os momentos de solidão, a paz e a tranquilidade. Entre cafés, cigarros e almoços, nasce uma paixão que só é impedida pelo segredo que Laura esconde e que pode mudar tudo o que ambos viveram até ali. Posso dizer que, embora «O Intruso» tenha muito a ver comigo, como expliquei, esta obra é mais a minha praia, na onda dos romances profundos e fofinhos, de despedaçar corações. É um dos meus preferidos, por muitas vezes que o leia, e só posso desejar que os leitores possam sentir o mesmo. 

«Anjo do Diabo» é o título da terceira obra que tenho preparada, um título provisório que vai ser transformado. É uma história que está, neste momento, nas mãos de alguns dos meus leitores-beta, a receber avaliações e opiniões, mas confesso que é outra das minhas preferidas. Não serão todas, de alguma forma? Todas têm um bocadinho de nós e penso que esta não é excepção. Trata a história de Clara, uma mulher com um passado complicado, dividida entre dois homens: um amor de adolescência e um casamento feliz que, no entanto, não a satisfaz. As reviravoltas da vida vão ensinar-lhe o verdadeiro significado do amor, da amizade e da família, e a necessidade de fazer sacrifícios por aqueles que amamos. Trata-se de uma obra sobre escolhas e segundas oportunidades, descriminação, perdão e compaixão, com um vilão que não é um vilão completo, para amar e odiar ao mesmo tempo, que eu confesso, nunca irei esquecer. As cenas de amor, de sofrimento e aquele final foram as partes que mais gostei de escrever e mal posso esperar que esteja pronto. 
«O escultor» é a obra em que estou a trabalhar de momento, um romance policial que é a minha estreia no género. Confesso que é um grande desafio, não é bem a minha praia, mas é uma forma de sair da minha zona de conforto e testar-me, ver até que ponto consigo chegar e aquilo que consigo fazer. A ideia surgiu quando estava ainda na redacção do jornal e abri um e-mail sobre um festival de esculturas no Algarve. Foi a primeira vez em que o título me surgiu antes da obra e posso dizer que, embora ainda não esteja terminada, estou a gostar imenso dela.  É, no entanto, uma obra complicada. É a terceira vez que a escrevo e só agora posso dizer que me parece estar no caminho certo. É uma história complexa, com muita investigação à mistura, e tenho apostado cada vez mais nas personagens secundárias, o que além de dar mais sumo à história, dá também mais trabalho. Neste livro, retrato a história de Mariana, uma mulher de trinta anos que nunca teve nada além de pobreza, mas que acaba por sucumbir ao poder do dinheiro, da ambição e da ganância, levando uma vida de mentiras, mas privilegiada, em que nada lhe falta, além de liberdade. O passado que deixou para trás e a necessidade que tem de manter as aparências e a vida que leva, tornam-na uma mulher fria e calculista, que só muda quando a melhor amiga desaparece inesperadamente. O desaparecimento de Alice e um outro segredo que Mariana esconde vão levá-la a rever a própria vida e os valores que considera importantes, o que a leva até André, um polícia demasiado bonito e demasiado jovem para o seu próprio bem. A sua ideia nunca foi apaixonar-se, porque o amor era a única coisa que lhe podia destruir os planos, mas talvez isso já não esteja nas suas mãos.
Em suma, é uma história de amor, sobretudo, e de amizade, e daquilo que podemos fazer pelos outros, quando deixamos de pensar em nós próprios. É uma história pautada por erros e arrependimentos, que mostra que qualquer pessoa pode mudar por amor. E, por outro lado, com uma forte veia de acção e mistério. 
Devem estar a perguntar-se de onde surgem estas histórias. «O Intruso» e «O escultor» são obras meramente fictícias, que me surgiram na mente, vindas de pensamentos aleatórios que eu tentei conjugar até formar uma linha com sentido. «As Gotas de um Beijo» é uma história real, sem o ser: peguei em pessoas que eu conheço, observei uma situação ou outra e criei uma história que vai muito além da realidade, mas tão intensa que podia sê-lo. O «Anjo do Diabo» é outra dessas histórias que eu sempre quis contar: baseada em pessoas reais e em pequenos pontos factuais, mas completamente transformada pela minha mente e pelas minhas ideias, que me surgem em qualquer momento, mas principalmente à noite, na cama do meu quarto. Gosto cada vez mais de observar os outros, de ouvir as suas histórias e de torná-las reais, à minha maneira. Cada um tem a sua história, e todas as histórias merecem ser contadas. 
Se quiserem saber novidades sobre as minhas obras e outros projectos de escrita, visitem a minha página de autora no facebook https://www.facebook.com/Autora27?ref=hl e o meu blog http://carinarosaautora.blogspot.pt/
Boas leituras!
Carina Rosa

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