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domingo, 27 de janeiro de 2013

Ao Domingo com... Júlio Borges Pereira

youtube: https://www.youtube.com/watch?v=lX083RfY0ts 
 (Programa no Porto Canal)


Chamo-me Júlio Borges Pereira e comecei a escrever o livro "O Último retornado" no Brasil em 2004.

Esta vontade de escrever surgiu na sequência de uma enorme angústia que se instalou em mim quando verifiquei que, apesar de todos os meus esforços para ter uma vida e uma família constituída em Portugal, me encontrava em 2004 no Brasil, sem a convivência familiar e totalmente desprovido de tudo o que tinha ganho, incluindo o próprio tecto, aqui, em Portugal.


À ideia , em 2004, vinham-me constantemente os dias alegres da infância. Lembrava-me de ter nascido em Benguela, bem junto à paradisíaca Praia Morena e de que, quando eu tinha oito anos de idade, o meu pai, que é contabilista, ter decidido levar a família mais para o interior de Angola. É assim que dou comigo agora a partilhar esta informação  com quem me está a ler neste espaço simpático, rico, afectuoso e de assuntos muito sérios, que nos é proporcionado pela Cris.

A região em que nos instalámos chama-se até hoje - Alto-Catumbela. Nas margens do rio Catumbela, que lhe dá o nome. A povoação fôra construída para instalar o pessoal da CCUP - Companhia de Celulose do Ultramar Português.

Toda a àrea envolvente do Alto-Catumbela era um imenso eucaliptal com uma extensão superior à de Portugal Continental e necessária ao abastecimento de 7 vagões de comboio por dia, carregados de troncos de eucalipto. Depois saía o papel em direcção ao porto do Lobito, 250 km distante e um dos principais portos de mar de toda a África. E, com o papel, seguia toda uma imensa tarefa de operários dedicados e que no seu todo perfaziam os 16.500 empregados da CCUP.

O futuro sorria. A igualdade social tornava-se realidade a cada ano e desde 1968. Salazar tinha morrido. Á felicidade da infância sucedia-se a felicidade da adolescência e tudo tocado vezes sem conta num violão, com a juventude a escorrer a rodos por um longo cabelo hippy, e num timbre que me permitia cantar, ou imitar, quase na perfeição, Paul Simon. A "presunção" dava uma mão, nesta minha determinação de adolescente deslumbrado.  Mas a felicidade não seria completa sem Ana Liz, o grande amor que justifica a edição deste meu primeiro livro.

Até que um dia, em 1974, nos meus 19 anos de idade e já a estudar em Luanda, a capital, no segundo ano de Engenharia Metalúrgica, fiquei a saber que tinham posto uns tanques nas ruas e tinham feito um golpe de estado, aqui, em Portugal Continental.

No Ensino Superior compreendíamos algumas coisas que nos levavam a entender porque tal teria acontecido. Ao fim e ao cabo se "imaginarmos" um país com a área de Portugal Continental, mais as áreas da Espanha e da França juntas, teremos "imaginado" um país extenso. Muito extenso. Mas não só. Um país, a transbordar de petróleo! No chão, um brilho, quase de norte a sul. Um brilho "diamante", multicolor e deslumbrante. Ângulo e cor, brincando chão e luxo. Diamantes de norte a sul,e , até, na areia das praias. Um pouco mais fundo e profundo, um imenso lençol sólido, de ferro, ouro, prata e pedras preciosas. A acrescentar, os minerais das chamadas "Terra Raras". O tesouro da famosa tabela de Mendelief.  Elementos químicos que hoje constituem microligas metálicas e que fazem naves resistirem à entrada na atmosfera da Terra sem se derreterem e se desfazerem, no regresso das cada vez mais frequentes viagens espaciais... Assim sendo, gostaríamos de continuar "imaginando" tal país e sair de casa assobiando, com mãos nos bolsos e a dar pontapés nas pedras, numa alegria imensa. Sem calor nem frio. Algodão na camisa. Nas calças. Em direcção ao mar para nele refrescar os pés ou todo o corpo. No azul deslumbrante das baías, depois de passados os extensos campos de algodão. Um sumo de manga, colhida da árvore, e a escorrer pelos braços, como que brincando com o nosso imaginário. No ar, um cheiro a caramelo, confundindo-nos. Cacau ou café? Não... talvez, cana de açúcar. Vamos ver?... "Vamos" - "Mas e o barco...?" "O barco...?! Como assim, o barco...?!" "Sim, o barco... como o prendemos?- "Ora. Com sisal,claro. Não é para isso que ele serve?" Pois.... o sisal. As plantações de sisal a perder de vista. Para fazer cordas, serapilheira e tudo o mais...

"Vamos, vamos, o mar está calmo e o trópico por aqui espreguiça-se mesmo até à noitinha..."   A alegria aqui é um "Até Nunca Mais".

Os trapos que Salazar tinha imposto iam desaparecendo. Nas carteiras misturavam-se as cores nos lápis que coloriam os desenhos e as mãos de quem os fazia. E "O Último Retornado" acabaria por nascer livro quase 30 anos depois, num regresso aos 47 anos de idade, em 2002, tentando reconhecer o sonho "imaginado".  No entanto, indignado e triste, regressara a casa. Resolveu então abrir, no papel , uma discussão com o seu avô - Portugal. Já nessa tarde, em Julho de 2002, se tinha aconchegado no colo da Mãe, Angola, e não quis chorar, porque ela, abria-se em olhos e mãos de perdão. Tinha ao peito uma condecoração que os Filhos lhe deram dois meses antes - a PAZ. Finalmente , "a PAZ", dizia ela com o olhar enternecido e mostrando no vestido as cores imensas do pôr do sol. As listas das Zebras. O castanho estonteado das Girafas. E, tudo, tudo mesmo, por cima de um fundo cinzento Elefante por onde esvoaçavam as grandes Borboletas em azul e negro. Uma mistura de tons que o Criador deixara escapar inspirado quando "imaginou" um dedilhado de Bach em piano intemporal e uma Avé Maria de Schubert ritmada num samba raiz, para lá do mar. Para os lados em que as caravelas deixavam cargas desumanas. Errante e acompanhando o pai, Einstein decifraria o segredo circular da gota de água quando da torneira cai. Redonda. Esférica. Sem  que ninguém se aperceba porque tal acontece. E, no mesmo chão, com joelhos e mãos postas, a oração. Ao lado, a Sociologia prometia, crente, crianças em sofrimento. Na lei - "primeiro o direito das crianças". Na lei - "primeiro a felicidade dos adultos". O quadrado e a esfera. Tudo a um só tempo. A ingenuidade de quem memoriza em vez de raciocinar. E que nos sufoca. Um homem que julga outro homem. Nascido sem talento, juiz, lê livros até que estes lhe dêem o poder de bater com o martelo. Sem talento e com poder! Julgando Cientista e Pintor. Lavrador, Poeta, Povo e Compositor. Negando aos pais, os filhos. Teorizando o Amor. Negando o "milagre" do Criador  que plantou em cada um de nós uma mente aberta ao pensamento científico. E nela, a procura à exaustão, da perfeição das fórmulas matemáticas. A regulação metódica e científica da intervenção que haveria de curar o tumor tardio do juiz. Conseguindo o "milagre" pela tecnologia.  Planeta incrédulo este que do outro lado e na sumptuosidade da Grande Catedral, com Ceptro e Mitra em ouro, o Representante do Criador fala por Ele e Canoniza um Santo Milagreiro que ninguém viu. Nesse mesmo instante, entra o Médico com a sua Equipe. Usa todos os recursos tecnológicos e o coração bate aos nossos olhos, durante a operação que salvará uma vida. O doente tornará a andar. Tornará a pensar. Sobreviverá e até mesmo voltará a ver. Mas, e ainda no mesmo instante, com togas negras , dois grupos entram numa mesma sala - o réu terá quem o defenda e quem o condene."Que sorte a do doente....!"  Imagine-se isto na sala da cirurgia...! Voltando ao tribunal...quatrocentos anos e fossem soltos leões que tudo se manteria igual, para delírio da multidão. Justiça e Ciência andam de costas viradas, e sempre a primeira subjugou a segunda. Gerações vêm há séculos suportando tal calvário. Mas ainda assim, o dia amanheceu. Estremunhada a pequenina Filipa acordou sem saber em que casa estava. Apetecia-lhe o beijinho da mãe. O do pai também. Procurava por eles imitando os gestos e feições que lembravam o tempo menino em que para tudo olhava admirada nos seus seis meses, ainda mal equilibrando a cabeça e saltando de alegria, ao colo de quem sempre a acarinhava, esperando nos beijinhos, o seu acordar. Com faces rosadas e os dentinhos a nascer. Como queira ajudar-te Filipa, se é que é esse o teu nome. Carolina, Francisco, Maria. Menina ou, menino. 

Perdoem-nos.

Amanhecera. De novo amanheceria. Filipa apenas continuava um sofrimento que tão bem ficou explícito no título "Pai Vem Me Ver". Um Obrigado aos Autores da última série que li em " Ao Domingo Com...". Parabéns Cris por este teu Magnífico Espaço em que podemos exprimir-nos livremente. Mais do que isso, só mesmo fazermos e escrevermos o melhor que pudermos. Foi o que acabei de tentar. Muito  Obrigado.

Link para a entrevista com a Fátima Lopes, "A Tarde É Sua", TVI - http://www.tvi.iol.pt/programa/4140/videos/133829/video/13774864/1

Link para a entrevista com o Mário Carneiro, "Mar de Letras", RTP África - http://www.rtp.pt/play/p842/e104931/mar-de-letras

Júlio Borges Pereira

54 comentários:

  1. Li e gostei do livro tendo devorado o livro em dois dias. A realidade dos retornados e toda uma vida retomada sem as ligações ao passado.
    José Sousa

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  2. Obrigado Zé, mais conhecido por Zé Maria, um dos meus 5 colegas do curso de Metalurgia já cá, na FEUP. Admiro-me que tenhas lido em dois dias pois a tua vida não te deixa muito tempo livre. Obrigado meu Amigo Zé Maria. Um Abraço, Júlio

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  3. que mais poderei eu dizer sobre a nossa "Angola"... que as saudades não têm fim e que de cada vez que ouço qualquer burburinho sobre ela me transporto para lá, e que as recordações me dão uma alegria infindável, colocando-me a fazer e reviver tudo o que lá fazia; vivi lá desde os meus seis anos até aos vinte e dois, e se sou quem sou a Angola o devo. Aprendi a respeitar e honrar tudo e todos, a ser digna das minhas acções e considero-me de bem com a vida apesar de tanto sofrimento e contrariedades. A todos os retornados o meu "bem hajam" pelas vossas divulgações,e carinho pela nossa "ANGOLA". Laura Ferreira

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  4. Parabéns Júlio! por este livro fantástico, que também já li e indiquei. Ajudou a "matar" um pouco as saudades da nossa querida Angola...
    Aguardamos novos trabalhos :)
    Cpts
    Olga

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  5. Bonito livro! Bela amizade que me proporcionou! Um amigo madrugador com quem partilho tantas recordações!Numa palavra, um ENCONTRO recheado de memórias!
    Obrigada Júlio! Venham mais...
    Clara

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  6. Laura, gostei muito do teu comentário - "se sou quem sou Angola o devo". É verdade também para mim. Depois de Angola até a dignidade quiseram tirar-me aqui. Respondi-lhes com este livro que sei que também leste. Obrigado por seres quem és, por seres como és e por teres enviado esta mensagem que muito dignifica todos nós Angolanos. Um Abrço Sincero, Júlio

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  7. Olga. Tu não podias faltar. Tens sido incansável como todos os nossos amigos e amigas comuns. Muitos souberam do livro por ti, sim, dentro e fora de Portugal. Haverá novos livros, porque com mensagens como esta tua, a vontade cresce imenso. Obrigado Olga. Aquele Abraço Angolano, Júlio

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  8. Olga, Clara, Zé Maria, Laura, todos ligados pelo mesmo nome - Angola. O Zé Maria que eu saiba nunca esteve em Angola, mas não deixou de enviar um comentário que nos alegra a todos nós Angolanos. Estudou comigo na FEUPe dele nunca conheci até hoje qualquer tipo de descriminação ou complexo de suprerioridade com que muitos nos receberam. Renovo o meu obrigado ao Zé Maria. E a ti, meu caro colega, cabe-me dizer-te que a Clara vive também aí no Porto. Não a conheço pessoalmente mas sei que é uma mãe e uma mulher extraordinária. Obrigado Clara, a menina do Lomaum que nunca esqueceu o Alto-Catumbela e que certamente se lembrará de todas as grandes e muito bonitas raparigas que por lá cresceram. Obrigado Clara. Vou madrugar mais para que tenhamos mais tempo para matar saudades. Aquele Abraço Angolano Sempre Sincero, Júlio

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  9. Julio.
    Para que "conste" , sou Agostinho Lado, aquele teu velho amigo de Cólégio em que tantas brincadeiras fizemos.
    Só estou a escrever estas linhas para te dar um grande abraço e agradecer todos os sentimentos revividos ao ler o teu livro.

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  10. Obrigado Agostinho. Se tantas vezes tenho ouvido que com o livro fiz reviver sentimentos e momentos de alegria passados na nossa Angola, não é menos verdade que todas as palavras que, como estas tuas, me têm chegado, me têm feito acreditar que Angola passeia por cá pelas ruas, brinca nas conversas e até na expressão em dialecto que às vezes nos escapa numa conversa com um filho ou até mesmo com um neto. Um "AKA" sempre aparece. Por isso mesmo aqui vai - Aka Agostinho, nunca pensei que Angola continuasse assim criança no coração de todos os seus filhos e filhas, e que estas, por seu lado, estejam cada vez mais bonitas, por dentro e por fora. Grande Abraço e Grande Obrigado uma vez mais pelas tuas palavras. Júlio

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  11. Linda esta história recheada de “metáforas” que impõem momentos de reflexão. As descrições tão bem fundamentadas são a marca da saudade arrastada no tempo, onde não se esqueceu os trilhos das picadas, o cheiro a terra e a pó, infâncias passadas nas praias, o capim em época seca, a fauna, as cores deslumbrantes do Sol a desaparecer no horizonte para depois voltar a nascer. Maravilhoso! No azul límpido daquele olhar de sister Anne, insiste a perfeição que imaginamos existir quando somos tão jovens. Aquelas mãos calorosas, compreensivas e carinhosas lêem-nos a alma. Guiam-nos! Os lírios brancos personalizam a Fé, a Esperança que nos move. Por fim o destino. Pressente-se a dor da separação inevitável, num grito resignado, que nos dobra, que nos quebra, que nos desfaz. Um grito imperativo. Do tamanho do mundo.
    Uma viagem de ontem, de hoje, para os nossos filhos e netos. Memórias para lembrar e nunca esquecermos. Porque não se consegue esquecer.
    Obrigada, muito obrigada Júlio Borges Pereira por as teres escrito tão bem!
    Maria João

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    1. ... e é assim Maria João. Esta foi a minha vez de chorar. Escreves muito bem. Entraste na história e tiraste dela o melhor - as mãos de Sister Anne e o olhar. Angola tem nome de Mulher e começo a acreditar que não foi por acaso. Choro porque conseguiste tocar-me a alma que pensei que estaria resguardada, mas choro sobretudo porque um dia me mandaste uma mail e escreveste - "estas são as palavras que o meu pai não escreveu. Ainda assim , hoje, não chorei" . No dia seguinte escreveste um outro mail - "Acabei de ler o teu livro. E hoje, chorei".
      Quem ler esta resposta pública a este teu comentário, vai perceber que existe entre nós uma Grande Amizade. E não se engana. Essa é a garantia de que "a tua escrita é de verdade". E sobretudo é bonita, imensa, forte, sensível.
      Este teu texto é sem dúvida a "verdadeira capa deste livro".
      Tantos designers, tantas teorias de marketing, tanto tempo, tanta discussão e chegas tu com palavras com cheiro a terra e água e desbaratas tudo. Deixas-nos a todos perplexos.
      Com humildade te digo - "estas são sim as palavras que o teu pai, eterno amante de Angola escreveu e nos deixou, porque nos deu o teu nobre ser, numa parceria com a Dª Marieta a tua incansável mãe ".
      ... quanto chorei? Do princípio ao fim. E sobretudo quando escrevestes assim - "Por fim o destino. Pressente-se a dor da separação inevitável, num grito resignado, que nos dobra, que nos quebra, que nos desfaz. Um grito imperativo. Do tamanho do Mundo".
      Não acredito que te tenha como Leitora. Estás muito longe. Nunca conseguirei alcançar-te...
      Júlio

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    2. Só há uma pessoa com mérito neste livro que és tu Júlio, porque escreves tão bem, porque não esqueces-te, porque nos fazes lembrar, porque nos ajudas a compreender o injusto e o inexplicável. Eu nunca escrevi um livro e muito provavelmente nunca o farei. Mas sou sensível às coisas belas. Honro-me por ter um amigo com o teu valor. Continua a escrever porque ganhas-te leitores. Eu estarei sempre e com todo o prazer entre eles a deixar-me embalar por esse dom de escrita meio proza meio poético. Adorável. Parabéns mais uma vez! MJR

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  12. Um livro, é um livro, ponto final. Poderíamos acrescentar: deve cheirar a papel e a tinta, elementos insubstituíveis por uma qualquer pantalha televisiva, que cheira a descargas de electricidade e outras coisas esquisitas que parece não serem bem deste mundo.
    Quem quiser saber o que está dentro do livro, só tem uma coisa simples a fazer: é lê-lo.
    Os livros lêm-se com os olhos e processam-se com a nossa própria alma, estimulada pela alma das pessoas e coisas que estão lá dentro.
    Há livros assim, onde vamos encontrar paisagens soberbas, bafejadas pelos ares da fortuna, mas também outras e não raras vezes flageladas pelos ventos contrários.
    O livro ainda não está, felizmente, sujeito às regras consumistas, pois se o estivesse teria de revelar em local visível do seu exterior a composição e doseamento dos seus ingredientes, tal como nas latas de sardinha em conserva.
    Contudo, sem esse roteiro prévio, há livros assim: cheiram a terra e aos elementos, aos animais e às pessoas e estas têm alma que comunica com a nossa se estiverem ambas em simbiose.
    Das almas que encontrei em “O Último Retornado”, de Júlio Borges Pereira, vou destacar, com um prévio pedido de desculpa ao autor, os dois ovimbundos Paulo e Rita, com o timbre bem vincado que distingue aquela etnia, a lealdade e a fidelidade aliadas a uma alegria de viver a cantar, o que raramente encontramos por esta Europa cada vez mais consumista e, sobretudo, egoísta. O Jeremias é um caso à parte, tal como é distinta em termos de etnografia angolana a etnia cuanhama da família dos Ambós. Dignidade, sabedoria sobre os segredos da Mãe Natureza, irmã mais velha da Mãe África, e prudência, estão vertidas em dose certa naquele personagem, o meu eleito.
    Embora distintos, até em compleição física, ovimbundos e cuanhamas comunicam por linguas da mesma origem, a cultura Banto. Curiosamente, ou talvez não, o romance do Júlio fez despertar uma frase, provérbio, há muito adormecida no meu sótão de ideias:
    O KAMBA TU 'RI BAKA MU TULU (O amigo, nós o trazemos no peito; da cultura Banto. A expressão pode ser encontrada em várias linguas daquele ramo, com significantes cuja acústica pouco varia)
    Bem haja Júlio e bem hajam os promotores deste espaço por me deixarem sonhar quando estou a atingir o inverno da vida.
    Real Soares, Alcoentre

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    1. O KAMBA TU RI BAKA MU TULU
      Dignidade, sabedoria sobre os segredos da Mãe Natureza, irmã mais velha da Mãe África.
      Palavras de Um Mestre Da Vida, Real Soares.
      Dele tive o prazer de ler - "30 anos de vida nas prisões e outras estórias". Li o livro sem parar. Recomendo. Fascinaram-me as descrições em Angola e o capítulo - "Cultura e Direito em conflito". Depois, toda uma série de histórias vividas pelo Amigo Real Soares como integrante do Corpo da Guarda Prisional. Em cada uma um final que nos deixa à procura de mais para ler. Conhecedor das matas e dos dialectos que cortam o silêncio das tardes de Angola, deixa-nos na nostalgia dos ecos desses sons. Real Soares escreve afectos. Sobre Real Soares e o que li neste seu livro direi - "O Sol ainda brilha na estrada... e eu nunca passei".
      Que o brilho do Sol nunca se apague nas suas palavras e ilumine mais páginas com o conhecimento profundo que tem sobre a nossa Angola.
      Muito Obrigado pela sua Amizade.
      Quanto às suas palavras, sou pobre demais para as poder agradecer. Talvez um "laripô" possa esconder esta minha pobreza dialéctica.
      Com um Abraço e uma Profunda Admiração, Júlio

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    2. este cheira a tinta e papel, mas também cheira a terra, a chuva, a pó, a capim,a laranjais e tem as cores do nascer e pôr de Sol. MJR

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  13. Gostava de poder comentar um pouco todas estas palavras especiais que aqui ficaram, neste post do Júlio. Muito para além da obra do escritor estão estas amizades tao fortes que marcam a vida de uma pessoa e que marcam certamente a vida do Júlio, esse escritor poeta que tão bem soube traduzir os cheiros e as cores quentes de uma Angola inesquecível. Um bj, Júlio!

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    1. Cris,
      Tu que me confessaste que te interessou o livro por ter sido escrito por alguém que nasceu na mesma cidade que tu, Benguela, acabaste por me dar uma montanha de alegrias. A primeira é esta última ( última não, a mais recente ) que acabaste de escrever - "esse escritor poeta". Estas palavras vindas de ti, senhora das leituras dos Grandes Nomes da Literatura Mundial, vão fazer-me sonhar durante um bom tempo. Uma continuação deste sonho que foi teres tido a generosidade de me incluires neste teu BLOG, para que, virtualmente, tomássemos um cafá, às 10 da manhã do passado domingo. De ti e sobre ti, direi, Betânia - "porque tu me me chegaste, sem me dizeres que vinhas e as tuas mãos foram minhas, com calma". Que mantenhas esta alegria e continues a digitar "pontos de encontro" como este - especial, essencial, afectuoso e Livre.
      Penso que posso falar por todos aqueles que escreveram comentários ao meu livro neste teu Espaço - Por mim. Por eles. Por todos nós, Muito Obrigado Cris.

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  14. JÚLIO lembrar de alguém com quem se brincou nas férias,da irmã com quem andei no liceu AC dos teus espectaculares pais e ainda do PAULO ou da RITA,que por acaso foi quem nos arranjou a n/lavadeira já trás uma saudade imensa.sou o tó que trabalhei no posto médico com a grande delmina e com o tommy,tozé ribeiro,peixe,orlando e tantos outros fizemos das boas.Agora lembrar aquela terra que me viu crescer e fez de mim o homem que hoje sou e da qual tanta saudade tenho, tudo isso pela pena de um grd escritor e meu amigo de outros tempos,foi a forma mais emotiva de recordar sítios,cheiros,sabores e tantos outros e ainda por cima conhecer quase todos os protagonistas da tua fantástica história,fez-me viajar no tempoe comovi-me com o que aconteceu ao snr.Joaquim e familia.Vi a ANARIS algumas vezes e como eu te percebo amigo;anjo igual nunca vi.o pai ensinou-me muita coisa enquanto trabalhei na zona florestal 2 e quando se fez o perímetro florestal da BABAERA,fui à caça naquela velha carrinha dele.não quero ser maçador mas é impossivel não me rever em tudo o que me fizeste reviver com o teu precioso livro. OBRIGADO companheiro pela maneira como expressaste tão bem a terra que nunca esquecerei.fico a espera de mais.tens aqui um fã incondicional.um bem haja ANGOLANO e escreve AKA e não porra,tá.um abraço

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    1. Olá Tó. Obrigado pelas tuas palavras. Não me estou a lembar de ti. Dá-me mais dados.
      Se me conheces tão bem saberás que não sou escritor. Apenas escrevi um primeiro livro que curiosa e contrariamente ao que eu previa, esgotou. Existem 1 ou 2 livros em algumas Bertrand(s) ou FNAC(s). Penso que uma 2ª edição estará para breve.
      Quanto ao Srº Joaquim, se fosse caçador não tinha enfrentado o ataque com um simples canivete. Estás a falar certamente de uma outra pessoa. Muita coisa será ainda escrita sobre a Ana Liz e o seu pai, o Srº Joaquim.Terás em futuros livros acesso a documentos sobre os tratamentos a que a Ana Liz foi submetida, obtidos do hospital psiquiátrico em que infelizmente passou quase toda a sua vida. Será um livro escrito por mim em parceria com um neuro-cirurgião alemão.
      Tenho andado com problemas no meu correio de mail. De qualquer forma podes usar um destes dois -
      julio.pereira@metal-africa.com
      ou
      juliometalafrica@gmail.com
      Grande Abraço Angolano,
      Júlio

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  15. O unico comentario que quero deixar é para o Julio nao ser modesto sobre o seu talento ao violão ou à guitarra.
    Compreendo tão bem a tua necessidade de escrever este livro! :-)

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    1. Amigo, por favor revela o teu nome.
      Saliento que o talento que referes era do Paulo, não meu. Penso que isso está bem expresso no livro e nas entrevistas que tenho dado.
      A necessidade de escrever vai muito além do livro. Tens aqui no Blog da Cris umas 20 mensagens anteriores à tua que expressam bem, também, isso.
      Gostaria muito que outros Angolanos a quem já reconheci talento para a escrita, o fizessem. Escrever. Há toda uma vida e uma maneira de ser nossa que é ímpar e nos diferencia na Sociedade actual. Passar por uma guerra muda-nos. Temos sido silenciados. Não fosse por isso e este livro teria já saído há pelo menos uns 4 anos. Vão seguir-se outros apesar dos cortes parciais nas entrevistas que tenho dado quando não estou em directo. Posso adiantar-te que "um minuto" em que expliquei a "dedicatória" que fiz ao meu filho, fez reunir o Conselho de Opinião de uma grande estação de televisão, que, curiosamente, não teve coragem de pôr essa justificação no ar.
      Está já previsto o lançamento deste livro em Angola e no Brasil. As coisas estão a correr bem, até à data. Em Angola deverá ser pela Chá de Caxinde e no Brasil pela Tinta de China ( esta uma Editora Portuguesa ).
      Já escrevi, em resposta ao comentário anterior, que tenho estado com problemas no meu correio de mail. Seguem as duas alternativas -
      julio.pereira@metal-africa.com
      ou
      juliometalafrica@gmail.com
      Obrigado Amigo pelas tuas palavras mas desculpa ter de referir de novo - o talento expresso no livro e nas entrevistas tenho-o sempre atribuído ao Paulo. Hoje, mais de trinta anos volvidos e no caminho em que Angola estava na altura, o Paulo seria um Djavan do outro lado do mar. Já disse isto ao Djavan.
      De onde pensas que é a fonte RICA da MUSICALIDADE BRASILEIRA?! Onde é que nasce essa torrente musical sem igual em todo o Mundo? Amigo, a nossa Terra é o que dela vimos e o que dela não tivemos tempo de ver. Então , vamos fazer o que nos resta - ESCREVER. Lógico que é uma necesidade minha e muitos outros Angolanos. Na verdade, quase todos, pelo que me tem sido dado ouvir por escrito ou mesmo pessoalmente.
      Obrigado pelo teu comentário.
      Abraço,
      Júlio

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  16. Olá Sr. Júlio,

    Como sabe, sou Angolana, nasci em Luanda. "O Último Retornado" fez-me "regressar" a Angola. Não tenho muitas memórias uma vez que, vim para Portugal muito pequena, mas ainda assim pude "sentir" os cheiros e os sons de África... a grandeza e a humildade do povo Angolano. Sinto orgulho por ser Angolana! Obrigada.

    Um Grande Livro, com muito sentimento. Aguardo ansiosa pelos próximos!!

    Com amizade,
    Arsénia

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    Respostas
    1. Caros Amigos Angolanos,
      ... Arsénia é o nome desta Angolana, Advogada de Mão Cheia, Mãe de um casal de crianças adoráveis . Como Mulher chamar-lhe-ia - Angola, tal é a beleza e tal é o azul dos seus olhos. É como se Deus tivesse nela duplicado a Sua fascinação, na cor e na forma, quando Se Deu conta que acabara de criar a Baía Azul. Mãe nobre e Esposa dedicada, a todos acode com humildade, sabedoria e uma imensa generosidade.
      Sobre a Srª Drª Arsénia que deixou Angola em 75, aos 2 ou 3 anos de idade, esgotaria de um dicionário todos os termos que nele existem de bonitos e nobres.
      ...A Srª Drª Arsénia que me alegrou de forma desmedida quando disse - "acabei de ler o seu livro. Hoje vejo e penso Angola de uma maneira completamente diferente". No momento seguinte acabei por lhe revelar - "Srª Drª tem os olhos da Ana Liz, iguais na cor, na expressão e no carinho. Iguais também aos de Sister Anne".
      ...Há mais de 400 horas que vinha falando com a Srª Drª Arsénia sem que disso ela suspeitasse. E quando todas as aflições caíram sobre mim, a Srª Drª Arsénia acudia-me a troco de quê? - DE NADA !
      Amo todos e todas leitores e leitoras.Respeito todas as opiniões. Sofro por ver todo um Povo em sofrimento desmedido. Mas, perante ela, Arsénia, recuperamos a nostalgia, a calma e o ameno dos lagos. E tudo num olhar. Tudo está nos olhos da Srª Drª Arsénia, até mesmo as viagens sem memória que Ana Liz dizia quando não sabia que sempre ali eu estava quando ela partia. O resto - o conforto, a ternura , a compreensão e o eco de um nosso lamento, podemos ouvi-los e reconhecê-los também na sua maneira de ser. No seu gesto.
      ...E quando me roubaram um filho, generosamente tomou por seu o meu sofrer. Admiraram-se todos num Tribunal quando sem eu nada ter, entrou na sala,uma Advogada. Vestia distinção, baía, competência e melodia. A justiça que se quer. Mulher, insinuava e vestia Angola e tudo dizia sem palavra alguma dizer. Simplesmente se fazia presente. Reduzindo tudo e todos a pouco mais que nada. Ao pescoço pendurara Amazónia. Uma simples concha com o fascínio do rio, em fio fino e índio. Sem ouro. Fio fio. Só. E assim me enchia de orgulho a pobreza... Chegara para me defender . Defender quem nada tinha. Uma Advogada. Advogada a troco de quê?- A troco de NADA!
      Meus Amigos, Amigas, Leitores e Leitoras. Nada mais tenho a dizer. O meu obrigado é muito pobre. Por favor juntem ao meu o vosso neste espaço que a Cris criou para nós. "Obrigado Srª Drª Arsénia" é o comentário que humildemento peço que juntem a este meu, aqui, neste BLOG, como rsposta a cada "Obrigado Srª Drª Arsénia" que aqui aparecer". Um livro certamente irá no futuro revelar a dimensão deste colectivo - "Obrigado Srª Drª Arsénia", que agora peço. Vale um "Filho".
      Meus Amigos e Amigas acabei de falar da pessoa que mais admiro e respeito neste Mundo. A pessoa a quem eu um dia disse - "Quem me dera ter menos 100 anos". Admirou-se. Logo continuei - "é só fazer as contas. Se assim pudesse ser, quando a Srª Drª tivesse 80, haveria eu de chegar , aos 10, feito criança e para lhe apanhar do chão um livro. Limpar-lhe os óculos embaciados pelo chorar. Aconchegar-lhe-ia o xaile à cadeira, às rodas e ao corpo. Ouviria o seu lamento pelo abandono que a velhice sempre traz e esperaria que assim, de forma trémula, me abrisse o livro na página em que escrevi a dedicatória ao meu filho. Cansada de toda uma vida de ajudas e esquecimentos dir-me-ia - este é o livro que recebi de um senhor a quem tinham roubado um filho e não tinha como se defender. Acto contínuo sentar-me-ia, criança, no chão e poria num dos aros mão.E nunca mais a abandonaria, atento a cada gesto seu, a cada suspiro de solidão. Incansável reporia a tocar Il Divo vezes sem conta. Os seus cantores de perdição."
      Srª Drª Arsénia "... a grandeza e a humildade do Povo Angolano. O Orgulho de ser Angolano, Angolana" de que falou no seu comentário, é tudo aquilo o que a Srª Drª Arsénia representa.
      "Muito Obrigado Srª Drª Arsénia",
      Júlio

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    2. Vou pedir desculpa pela impertinência mas o comentário da senhora Dra Arsénia provocou-me um “click” a que não resisto.
      A singeleza pura das suas palavras dão-lhe dimensão grandiosa; quando se gosta muito de algo, costuma dizer-se “que não há palavras”. Há palavras sim, mas devem ser parcimoniosas, porque daquilo que verdadeiramente gostamos está em grande parte no nosso segredo individual; ao esbanjá-lo deixa de ter encanto.
      Mas não há dúvidas, a serenidade que o Júlio revela sobre a sua personalidade, nesse teatro de conflitos que são as salas de audiência dos tribunais, diz-nos que na sua matriz genética há muito que tem a ver com a cultura Banto, seja por laços de sangue ou por simples contágio de convivência ou mesmo pelo ar que respirou na sua meninice, impregnado com o cheiro da terra, cheiro d'Angola.
      Da máquina da Justiça, concretamente dos tribunais, o que mais me marcou na vida profissional que tive, foi a eloquência de ilustres Advogados, pela forma como sabem transformar um diálogo entre partes em conflito em momentos de linguagem argumentativa de elevado nível. E isto só acontece quando aqueles profissionais sabem trocar a “paixão da defesa da sua dama” pela serenidade que é escutada atentamente e assim, diria só assim, se pode chergar à Justiça.
      Os meus respeitos Ilustre Advogada e parabéns Júlio por esta amizade tão bonita.

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    3. Por lapso o autor do comentário anterior nao colocou o seu nome... A seu pedido faço-o eu: Real Soares de Alcoentre.

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    4. Júlio
      deixei há dois dias aqui um agradecimento à Srª. Drª Arsénia, agradecendo tudo que tem feito a ti e naturalmente a mais pessoas como tu, mas que não sei porquê não ficou registado. Volto por isso a agradecer a todas as Drªs Arsénias deste mundo que nos ajudam a suportar as agruras da vida e nos fazem acreditar que ainda há justiça.Obrigado Drª Arsénia pela sua generosidade e aguardo com fé que todos os problemas do Júlio sejam resolvidos, ele merece.
      Bem haja pela sua maneira de ser. Com amizade
      Laura Ferreira

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    5. Drª Arsénia:
      Os anjos são de todas as cores! Com elas pintam as nossas vidas! A Drª Arsénia, que traz vestida Angola e Ana Liz...ou Sister Anne... Também se veste de bondade e generosidade para acolher nas suas plumas este amigo angolano!
      Obrigada!
      CLARA

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    6. Não quero deixar de aproveitar este meio, para expressar a admiração com que fiquei pela Senhora Doutora Arsénia, depois do Júlio me ter contado o quanto e tão generosamente tem feito por ele.
      Só pessoas de valores, valores que os nossos pais nos passaram quando eramos pequenos, valores sociais e solidários que aprendemos com as pessoas da nossa rua, da nossa cidade, de um país que era afinal a casa de todos quantos lá viveram, como se de uma única família se tratasse, podem ser assim tão disponíveis, sensíveis, justas e generosas.
      Afinal ainda há pessoas de valor!
      Bem-haja Senhora Doutora Arsénia.
      Maria João

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  17. Um livro repleto de emoções fortes, de encontros e desencontros, com algum mistério à mistura.
    A nudez dos sentimentos mais nobres, como o amor e a amizade... neste livro... apresentados na mais pura
    simplicidade.
    Sente-se a alma deste escritor do princípio ao fim.
    Sou muito grata, e desejo sucesso para o próximo livro.
    Fico a aguardar.... Um bem haja.
    Manuela Alves

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    1. Olá Manuela Alves,
      Muito obrigado por este seu comentário.
      Tenho tido a alegria de ler neste BLOG da Cris comentários que expressam claramente tudo aquilo que procurei transmitir com "Alma e simplicidade". "Mistério" - é inevitável, não fosse África a dona do texto.
      Se puder ( ou se puderes ) diga-me um pouco mais sobre si. Nasceu por lá?
      Mails de contacto -
      julio.pereira@metal-africa.com
      Caso tenha problemas no envio, por favor utilizar o mail alternativo -
      juliometalafrica@gmail.com
      Para terminar e continuando a usar as suas palavras - " o amor, a amizade e um bem-haja " são o orgulho que tenho em saber que leu este meu livro e dele disse tudo aquilo que eu gostaria de ouvir.
      Muito Obrigado Manuela Alves.
      Com estima,
      Júlio

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  18. Júlio,obrigado por através do livro me transportares a terras de Angola,que conheci todas as são citadas no teu maravilhos livro, pois viví bastantes anos naquela maravilhosa terra ANGOLa, só desconhecia em absoluto o drama que viveste e que uma forma sublime tão bem descreves, o que nos faz não querer parar a leitura, que nos prende capítulo a capítulo! Obrigado a ti, e a todos os anjos bons que surgem nas nossas Vidas!
    J.Coelho

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    1. José Coelho,
      Mais uma alegria que me chega a este BLOG da Cris, nas palavras que escreveste sobre Angola e o livro.
      "Os Anjos Bons Que Surgem Nas Nossas Vidas", como dizes... Os dramas que afinal vivemos e que desconhecíamos em absoluto, até este Reencontro..
      Vou antecipar aqui uma conversa que haverei de ter contigo - vi uma a uma todas as fotografias que me enviaste, mas, o que delas me contaste, nunca me passaria pela cabeça. Levei uns dias "a tentar" recompôr-me de todas as perguntas que em mim provocaste. Pressentindo a conversa que terei contigo, mal recebi e vi as fotografias, refugiei-me numa Obra Sonora Sublime - "Imitação da Vida". É isto, não é meu Amigo...? É isto o que Os Anjos Bons que Surgem nas Nossas Vidas nos Ensinam a fazer quando dela Partem, não é?... Fernando Pessoa escreveria tal "Imitação" sem suspeitar que Betânia viria a Cantá-la - "Sonhar mas um Sonho Impossível. Lutar quando é Fácil Ceder. Vencer o Inimigo Invencível... Quantas Guerras Terei que Vencer por um Pouco de Paz? E Assim, seja lá Como Fôr, Vai ter Fim a Infinita Aflição e o Mundo vai Ver uma Flôr Brotar do Impossível Chão..."
      É essa Flôr que tentarei encontrar em Ti e na tua Esposa para finalmente ter a certeza que o que se escreve nasce bem na "Alma". E é Nela que Tu e a Tua Esposa certamente Guardam esse Anjo Bom de Que Falas. Por isso Ele é Imortal.
      Não vou agradecer-te as Palavras que me enviaste neste Blog. Vou tentar é Roubar-te, a Ti e à Tua Esposa, mais Ensinamentos. Como se Calam os Lamentos? Como se Suportam os Dias Meninos quando, Imaginando um Anjo de quem me disseste o Nome, se Brinca um Hoje feito só de Momentos? É Recordando...? Ou é só mesmo "Imitando a Vida"?
      Há Mais Uma Lição Para Aprender. E é neste meu Esforço de Usar Letras Maiúsculas que Quis Dizer-te que se Deus fosse Perfeito Povoaria este Mundo só de Crianças. A Tua. As Minhas. As de Todos Nós.
      Um Abraço Para Ti e Para a Tua Esposa.
      Até um dia destes, breve,
      Júlio

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  19. Olá Sr. Julio,você conhece-me perfeitamente sou a Ana Luisa,(Staples) a sua historia de vida dava uma serie de filmes... estou a adorar o seu livro, é o unico autor portugues que me consegue envolver (entrar dentro da historia e vive-la), parabéns pela arte de escrever, e como você diz nas entrevistas, que tudo aquilo que faz aplica-se e empenha-se, realmente é verdade. E um muito obrigado á Dr. Arsénia, pela ajuda que deu ao Sr. Julio.

    Um abraço Sr. Julio e até breve, e que venham mais livros.

    Ana Luisa

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  20. Este é um espaço público que a Cris mantém limpo, sério, atraente, Livre, criativo e, sobretudo, Cheio de Emoções.
    São incontáveis as alegrias que já vivi e que vivo cada vez que aqui entro.
    A última vez foi há dois dias. Foi quando vi o que escreveu a Ana Luísa.
    Fui tentado a responder de imediato mas quis guardar o que a Ana Luísa aqui escreveu só para mim. Como um segredo. Como um diamante que sentimos nas nossas mãos mas que apenas vale e existe porque mostra aos olhos de quem o olha, tonalidades deslumbrantes. Abri-lo e tirá-las dele é... destruí-lo.
    Por isso demorei dois dias sem saber o que fazer quando li o que a Ana Luísa escreveu.
    O que fazer, meus amigos e amigas, quando do meio de um estafado amontoado de caixas no espaço público da Staples, uma mãe nova, bonita, de cabelo apanhado, com o suor a brilhar na testa e as mãos cansadas do "lufa-lufa" diário das reposições, se abeira de nós e diz simplesmente isto - "tenho uma filha pequenina. Ela adora que eu a leve à FNAC para brincar naquele espaço infantil de livros e outras coisas que por lá existem. Aproveito cada bocadinho em que ela está entretida para ler mais umas páginas do seu livro. Nelas vivo. Respiro. Sinto e pressinto. Antevejo e caminho pela mesma estrada. Já vou na página..."
    Não sei o número da página, meus amigos e amigas. Perdi-me enquanto a Ana Luísa continuava a falar. Á ideia vinha-me apenas um cenário -"... há uma mãe bonita que cansa as mãos no trabalho exausto do dia a dia e no criar de uma filha, mas que, com as mesmas mãos, vai virando as páginas do meu livro, num entrelaçado feito de brincar e sonhar. Viajando nele com a filha pela mão. Por entre jogos e perguntas pequeninas e o molhar dos pés quando do "mar de trabalhos" da vida se enternece e cede, aos tropeços do português do Jeremias. Ao mistério e à ternura da Sister Anne. Á lição de Amizade do Paulo. E tudo no regaço de "uma outra Mãe" - a nossa Angola, que ela, entristecida, diz que tem pena mas que não conhece.
    Como em tudo e para tudo, há uma razão. São dois os Povos que chamam a Ana Luísa qundo ela passa a entrada da FNAC - o Português e o Angolano. São eles as duas Grandes Personagens deste livro que chamo de meu, mas que é já rico demais para que queira viver comigo.
    Vestiu-se de "Lord" e saíu por aí num Rolls Royce deixando-me com a minha pobreza, amiga e mendiga, altiva e constante. "Vestido de Lord e ao volante" deixou-me de boca aberta ali bem à beira de uma estante. Numa Staples. Com a Ana Luísa a consolidar a Riqueza feita de Generosidade e Atenção de "Tais" passageiros - Maria João, Laura, Real Soares, José Coelho, Clara, Arsénia, Manuela, José Maria, este, que também nunca viu Angola. E tantos. Tantos mais que guardo no coração.
    Obrigado Ana Luísa. Obrigado também pelo "Obrigado" à Drª Arsénia.
    Tenho um pedido para lhe fazer ... "brinque mais com a sua pequenina. Não se importe com a página em que vai sempre que vai à FNAC. Se foi lá que, por entre tantos outros escolheu este meu livro para ler, um dia destes ele irá visitá-la e irá consigo para casa. Á noite ele há-de abrir-se antes de repousar em cima da mesinha de cabeceira e adormecer entre o som de um espraiar da Praia Morena e a corrida desesperada da Sister Anne. Sentirá minha amiga o afago da inocência da Ana Liz para que adormeça. E, mal amanheça, um lírio branco para que não se esqueça, que mais importante que ler, é brincar enquanto a sua filha é pequenina. "Sei que me entendeu, agora, Ana Luísa". Mas, em nome da Ana Liz aceite este lírio branco que transformei em livro para um dia destes lhe entregar, na Staples.
    É profunda a dmiração que tenho por si, mãe incansável, na luta do dia a dia com o marido, porque criar um filho hoje é tão difícil. Mas e ainda assim arranja também um nadinha de tempo para escrever coisas que a filha, e não só, um dia há-de ler, se Deus quiser.
    Muito Obrigado uma vez mais Ana Luísa.
    Com estima,
    Júlio

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    1. Sr. Julio fiquei maravilhada com as sua palavras, e aproveito para lhe dizer que já comprei o seu livro, e que agora já posso lê-lo a qualquer momento e instante. Quando estiver consigo vou lhe pedir para me dar um aotografo no livro. E mais uma vez parabens pelo excelente livro. Um abraço.

      Ana Luisa

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    2. Olá Ana Luísa,
      A Cris já colocou o meu comentário de resposta aqui, embora por qualquer motivo tenha ficado 5 posições abaixo. Por favor veja o comentário de resposta após os 5 que se seguem a este.
      Uma vez mais Muito Obrigado,
      Júlio

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  21. Júlio
    Depois demais uma leitura atenta ao blog da Cris, apraz-me dizer que está na hora de mandares para todos nós a continuação da tua vivência nestes anos passados. Ficámos a alguma distância do resto deste teu passado que queremos partilhar e com ele voltarmos a reviver a nossa linda vida nessa grande terra" A NOSSA ANGOLA". Sabes, não conheço ninguém que por lá tenha passado, muito ou pouco tempo, que não a descreva como a melhor de todas as terras que puderam conhecer, amar e admirar.
    A minha mente está sempre a viajar para lá e a reviver a maravilhosa infância e adolescência que lá passei, e sei que aconteceu o mesmo com todos os nossos amigos. Quão felizes lá fomos todos. por isso, te peço que nos "dês" mais um pouquinho da "nossa AMADA terra. Parabéns por teres sempre um agradecimento e carinho para todos quantos te dirigem as suas palavras de admiração. Abraço Angolano.
    Laura Ferreira

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  22. Olá Laura. Que alegria minha Amiga com mais esta tua mensagem. Obrigado Laura. Na verdade os bocadinhos que vou dando de Angola são também teus, são de todos nós.
    Estou a trabalhar no segundo livro. Nele estou a pôr mais nomes de colegas e amigos que cresceram comigo e contigo. Infelizmente a guerra estava mais acesa que nunca, mas até talvez por isso hoje possamos beber o tempo sem a preocupação de sermos atingidos. Trouxémos a alma e nela tudo guardámos. Saberia descrever-te aqui na feição e num traço alegre e bonito, o que lembro de ti na saída da infância e depertando paixões. Não porque eu disponha de qualquer mágica , mas porque é impossível viajar para aquele tempo sem levar a alegria que nos acompanhou nos dias vividos, como tu mesma disseste. Todos nos lembramos de termos tido uma vida simples e muito alegre.
    Todos se riem quando digo que tínhamos cinema 3D dia sim dia não. Consigo ainda sentir no corpo os fios de plástico esticados no tubo das cadeiras e reconheceria as manchas do chão de cimento. E, no intervalo, TOM JONES . "DELILAH". Um vozeirão. Mas no escurinho não...No escurinho um namoro. Era... não era?! Nunca me contaste mas aposto que também tu lá namoraste. E se assim foi já podemos dizer que tínhamos na sala sessões a 3D - o filme, o namoro e o sermão, na chegada a casa.
    Mas tudo viria a ser destruído e a ficar com os ferros à mostra.
    Um dia, já desesperado pelo descontrole da situação sentei-me na beirinha do passeio frente à minha casa. Era muito baixinho, rentinho ao chão. E perdi-me no pensamento sem saber o que fazer. Foi a última vez que fui de Luanda ao Alto-Catumbela. Nesse momento lembro-me de repentinamente chegar um passarinho bem pequenino e que bicava tudo, tudo mesmo, o que via no asfalto. Não me mexi e fiquei a observá-lo. No fim de alguns segundos ele tinha um pé de flôr da espessura de um fio no bico e, na ponta, uma flôr tão pequenina tão pequenina que eu nunca a acharia no chão. Tinha duas ou três pétalas brancas. Voou veloz. Acompanhei-o enquanto pude. Desapareceu por entre a copa das árvores. "Levou no bico duas coisas", reflecti - "uma, foi mais uma palha para construir a casa, e a outra foi uma flor para presentear a companheira. Apesar da guerra o seu ninho não será descoberto", pensei. Senti uma grande alegria por isso e até hoje tenho pena de não ter conversado com ele naqueles poucos segundos que ali saltitou no chão. Um dia, muitos anos mais tarde um cantor diria - "a vida é amiga da arte, é a parte que o sol me ensinou, o sol que atravessa essa estrada que nunca passou"- era Caetano Veloso despertando em mim os caminhos da infância.Logo me lembrei desse passarinho e do seu atarefado viver. "Talvez tenha sido isto que ele me mostrou quando com ele levou mais um pedaço de casa, mas com uma flôr", pensei. "A vida é amiga da arte, a parte que o sol me ensinou" - seria isto o que eu não vi naquele pedaço de chão e que ele viu e apanhou? O que Caetano parecia querer dizer era que por maior que fossem os riscos da vida, o tempo sempre brincaria no caminho. "O sol ainda brilha na estrada e nunca passou". É bem verdade - hoje, filhos e netos nossos brincam no caminho, com o tempo em volta, enchendo-nos de Vida de sol. "O sol que nunca passou".
    Quanto a mim só não gosto de ver presos os passarinhos e deveria ser lei e decretado o direito a que vivam à solta. De outro modo como poderão cumprir o que aquele passarinho de Angola me ensinou e que Caetano cantou? - "a vida é amiga da arte. A parte que o sol me ensinou". O sol é a liberdade. Por isso é que ele pôde voar para casa e com a flôr no bico.
    A vida amarrou-me é certo, mas são palavras como estas tuas que me devolvem a liberdade e me fazem sentir solto. Vou pedir ajuda aos poetas e tentar encontrar essa flôr que cabe no nosso coração - Angola. É um vôo e tanto, mas... vou tentar.
    Muito Obrigado Laura,
    Júlio
    P.S. - muito obrigado também a ti Cris. Abraço, Júlio

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  23. Que bom Júlio, voltar a sentir as palavras aconchegantes e os momentos mágicos que descreves em todas as tuas referências a tudo que nesta vida nos rodeia e nos faz, como tu dizes, sonhar, viver... e não desistir daquilo em que acreditamos.
    porque sempre se disse que recordar é viver, e nunca li uma frase tão profunda e com tamanha verdade. Se assim não fosse que seria de todos nós, seres vivos, pensantes,e tão criativos?morriamos antes do tempo??? Há quem lhe custe realmente a acreditar o que nós já tinhamos no nosso "ALTO CATUMBELA". Cinema 5 vezes por semana e três vezes ao dia; bailaricos na nossa sombrinha, clube, casas particulares; ralis, fadistas como Amália Rodrigues, Tony de Matos; campo de ténis, futebol, piscinas,escola, liceu,caminhos de ferro, e a nossa CCUP- Única fábrica de papel no País. Fomos muito prendados não tenhamos dúvidas, mas a verdade é uma. Nem tudo dura para sempre, meu amigo. Peço-te " NUNCA DEIXAS DE ESCREVER" o teu dom é fabuloso. Sinto-me uma priveligiada por poder partilhar contigo este talento.

    Grande Abraço e os agradecimentos à CRIS, pelo grande apoio que te dá.
    Até sempre
    Laura Ferreira

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  24. Minha Amiga Laura. Directora de um Banco. Chegas com estas palavras e deixas-me como um pobre com uma velha mala pela mão. Á beira de uma estrada na expectativa de uma boleia. Uma estrada que só pode ser de terra e debaixo de um sol escaldante, porque sei de onde vieste e quem hoje és.´Foi isto o que de imediato me veio à cabeça depois do que escreveste. Uma velha mala de mão, mas que, sem ninguém suspeitar, tem dentro todas as coisas que tão bem descreveste. Uma piscina,um colégio, bailes na sombrinha e um incontável número de filmes. Hollywood chegava-nos nas ocas bolachas cilíndricas de chapa e assim, no meio do mato, interpunha-se entre dois intervalos por sessão, um violino no telhado, e uma correria escada acima da negra de lenço apanhado na cabeça, dando a consistência dramática de "e tudo o vento levou". Sem que suspeitassemos que a devastação que o filme retratava se abateria sobre aquele nosso mundo. Pena que apesar de tudo não tivessemos como lhe copiar o fim e apanhar do chão um punhado de terra. "Ai a raiva que eu tenho de não ter trazido um pedaço de passado roubado por dentro da algibeira", dizia Fernando Pessoa.
    No início desta minha resposta fui surpreendido pela emissão de um Concerto dos Bee Gees. Está a dar. Em cima do palco está apenas um dos quatro irmãos. Os outros são já apenas - SAUDADE. "I Deep Your Love" só é conseguido por ele pela preciosa ajuda de vozes mais jovens. Estes são os indícios de que chegou a hora em que as mãos pequeninas dos nossos netos começaram a desfolhar os livros que guardámos. As cartas de amor que escrevemos. Os nossos diários. A confissão de que sim - que também tu namoraste no cinema. Que na paixão, com ponte ou não, terias conseguido atravessar o rio sem pores os pés no chão.
    Sabes, quanto à Cris, que vai ter que aprovar mais este comentário porque é assim que deve ser, tem uma criatividade e uma originalidade que nasce em Benguela e verte para este BLOG excepcional. Por isso acabou por me convidar para uma surpresa que um dia quem aqui entrar terá. Não sei se depois disso sobreviverei mas sugiro desde já que não sigam o que nesse dia vou aqui escrever. Seria demasiado perigoso. Mas isso é uma surpresa que não posso revelar, porque senão deixaria de o ser. Mas será para breve.
    De qualquer modo é uma sorte muito grande termos este espaço tão FASCINANTE.
    Uma vez mais muito obrigado pelas tuas palavras Laura.
    Aquele Abraço Angolano,
    Júlio

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  25. Ana Luísa,
    Não sei o que dizer.
    Já tinha comprado um livro para si. Tenho-o aqui comigo.
    Entretanto na semana passada fui surpreendido por mais um episódio daqueles que este livro vai encontrando pelo caminho. Só que este foi como se me tivessem enterrado um espinho no peito.
    Na página 225 do capítulo - Meu Império Azul. Sempre... "rumarias", refiro uma situação que diz mais ou menos isto - "... e na base sobe o avião / Em direcção ao Céu / Leva Jacinto / que vai marcar as botas num chão que nunca foi seu..."
    Esta situação tem a ver com o facto de terem sido enviados soldados para o Kosovo. Um deles era daqui embora eu nunca o tivesse conhecido pessoalmente.
    Diziam que eles eram voluntários mas o facto é que o que se ouvia por aí era que este soldado não queria ir. Estava casado e tinham um bébé.
    A resposta das chefias foi curta e certeira - "se não quiseres não vais mas se não fores nunca mais vais ser promovido".
    Preocupado com a criação do filho, o soldado foi. Não sei como se chamava e isto era o que se constava.
    Jacinto é o nome da base, aqui perto, de onde eles saíam.
    Então a determinada altura, nesse mesmo capítulo, cito numa das conversas que no livro mantenho com Portugal, o seguinte - "... Vem / vou levar-Te à praia e soprar-te o barco no mar que me deste para nascer / Mas não olhes para trás. Aqui é Angola e o sol está a pique/ Vem / Vou contar-Te o que aconteceu - por lá Jacinto morreu. Por cá ... ( e prossegue )
    Foi realmente isso o que aconteceu. Jacinto é o nome símbólico deste e de outros soldados ditos "voluntários".
    Mas este é um livro que, como sabe, é baseado em factos reais. Pois o que aconteceu Ana Luísa foi que o livro foi seguindo o seu caminho e encontrou o bébé que hoje já cresceu e só ouviu falar do pai. Chama-se Tiago e tem 13 anos. A mãe trabalha no Pingo Doce da Vila da Feira. Aqui tão perto...
    Este é um espaço público que a Cris abriu para nós e que devemos respeitar. Por isso Ana Luísa vou só dizer-lhe o que me vai na alma neste momento. É o seguinte - não hesitarei em comprar um livro já que isso me parece que não é fácil para o rapazinho. Ou...posso dar-lhe a si a oportunidade de "Um Gesto Maior" - escrever ( porque sabe escrever e muitíssimo bem ) umas linhas para o Tiago na primeira página deste livro que é seu . Eu só assinarei e farei isso na segunda página se assim a Ana Luísa o desejar. Na primeira peço-lhe que para além dessas algumas palavras para o Tiago, assine juntamente com o seu marido. Este livro, como lhe disse é seu. Pode dá-lo a quem quiser. Eu posso felizmente comprar outro. Mas mesmo que o compre será para si porque sei que mesmo não lhe pedindo terá, como eu, esta imensa vontade de dar ao Tiago esta certeza de que não nos esquecemos dele. A Ana Luísa e o seu marido são Pais exemplares e em nome de todas os outros Pais, leitores e leitoras, deixo-lhe aqui esta minha vontade de ver este seu livro nas mãos do Tiago. Um pai que a única vontade que tinha era de o ver crescer são, feliz, cuidar dele e dar-lhe Amor. Mas os senhores que leram noutros livros outras ideologias da elite, disso não quiseram saber. Agora não posso mais continuar a escrever porque , sem querer e mesmo tudo tendo feito para que tal não acontecesse, começaram já tremer-me as mãos. Nunca pensei encontrar o Tiago. Não consigo continuar...
    Adeus Ana Luísa e uma vez mais Muito Obrigado pelo seu Exemplo ,
    Júlio
    ( breve levo o livro à Staples e falo consigo sobre tudo isto )
    __________________________________________

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  26. Olá Júlio,
    Estou aqui novamente para lhe dizer que senti vontade de reler o seu livro. Mais uma vez obrigado pela experiência. Foi uma viagem e tanto....
    O Júlio tem uma forma muito especial de trabalhar as palavras. Obrigado pela partilha.
    E ficou outra vez a vontade "urgente" de saber o resto da história.
    Fico a aguardar e desejo-lhe sucesso para o próximo volume.
    Com um abraço, Manuela Alves

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  27. Olá Manuela Alves,
    Nunca é fácil para mim responder aos seus mails.
    Passei tempos às voltas para saber como responder a este seu comentário. Um livro meu, o único, re-lido pela Manuela Alves, deixa-me à procura das palavras que diz eu saber trabalhar. Desarmou-me.
    Por sorte hoje revi Joan Baez - "speaking of dreams". Joan Baez, ao piano. Em duas ou três frases logo me transportou para o tanto de "sensato" e "insensato" que tenho lido nos seus mails. O "insensato" é a parte mais entusiasmante de tudo o que tenho aprendido consigo. Na verdade, mesmo "falando de sonhos" as minhas amarras ao científico, ao lógico e ao experimental, não me deixavam mais que alguns poucos metros para tentarlevantar vôo. E nunca consegui.
    Mas os seus mails foram chegando. Bem mais nova e com uma experiência de vida fantástica, a Manuela Alves verte neles palavras que enquanto ainda "insensatas" para mim , estranhamente me fascinam e me fazem sonhar.
    "Speaking of Dremas" deu-me a imagem perfeita desses vôos arrojados em que me leva pela mão. Tal como diz a canção - "apesar de seres Brisa da Primavera e eu um vinho envelhecido... vou encostar-me ao vento para te poder ver dançar".
    Foi bom ter revisto a Joan Baez mas muito mais sensacional foi ter podido roubar-lhe estas palavras porque logo me transportaram para si.
    Obrigado Manuela Alves. Pela sua Amizade. Pela imensa alegria de ter re-lido o meu livro. Obrigado por cada palavra sua. Speaking of Dreams, obrigado pela nova visão das coisas a que chamo de insensatas e que tanto me fascinam pela forma como as escreve. Estonteante e arriscada.
    É imensa a alegria que me enviou neste seu comentário.
    Aquele Abraço Angolano,
    Júlio

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  28. Olá Laura,
    Tentei por duas vezes responder ao teu comentário em "Escritores na Cozinha" mas não consegui. Por isso estou a enviar-te a resposta por aqui- "Ao Domingo Com."
    Antes de mais Obrigado pelo Teu Comentário sobre a receita que enviei. Não queiras saber os trabalhos que passei para este desafio da Cris. Mas ainda hei-de promover um abaixo assinado para que a CRIS, ela própria, nos apresente aqui uma receita. É que tenho magicado que a Cris nos tem convidado, fazemos as coisas, mas... quem as come?! Até hoje não vi nem um bocadinho do camarão que fiz. "CRIS... fica aqui o recado - nós , ficamos à espera de Ti, na Cozinha".
    Voltando a ti Laura. Quem cresceu contigo lembra-se bem de como sempre foste bonita. Mandaste-me umas fotgrafias da Turquia e posso garantir-te que continuas bonita, mas que te faltava lá, o Sol de Angola. Mesmo com toda a riqueza da Turquia à tua volta, trocava-a pela alegria da nossa rua. Pelo aro da tua bicicleta. Pelos amores dos nossos corações jovens. A cada manhã ninguém supõe que quando entra a Directora do BES, Braga perde uns séculos e se reduz a pouco mais que um fechar da mão no travão antigo da bicicleta, porque a menina desceu do selim e pôs o pé no chão. Ainda não sabia dar a volta e queria subir a rua, de volta para casa. Que em vez das complicadas folhas de cáculo sobre poupanças e rendimentos a Directora transportava um coração desenhado no caderno da escola, rua abaixo. Com os sonhos a brincarem de mãos dadas no recreio do Colégio do Ultramar.
    Não ligues... a Cris é que come sempre os pratos, mas estas sobremesas do mato são nossas. Quem sabe ela não se mete no carro e vem de Benguela, aonde nasceu, ter aqui connosco.
    Entretanto, tivémos sorte. É que Caetano afirmou que mesmo por absurdo o "déndén" nunca seria "light". Pois por absurdo, aqui, às margens do Catumbela, todos somos light. Sobretudo as raparigas. E o déndém, também. Mas adoro o talento dele. Ultimamente tem-me prendido numa frase de sua autoria - "Explique-nos Luanda!".
    Bem...uma vez que aqui continuamos, vamos pedir-lhe para voar e se juntar à Cris. E virem até aqui. Depois, na Sombrinha, faremos tocar o Zé Viola. Cabelo branquinho, um merengue de arrepiar e doçura na voz. Haveremos de cruzar as pernas, sentados no chão. Na relva das piscina. Um pouco mais distante brincaria um grupo de crianças - Cátia, Pedro, Carolina e tantas, tantas. Delas se destacaria uma, que só brincaria com balões. Ao som do rio, balançaria os pés na ponte, por cima da corrente. Depois afirmaria - "tu és rio. Vis-te por aqui crescer a minha mãe". E do nada surgiria então um silêncio. O rio aquietar-se-ia, tal como na Bahía fazia a praia quando Caymi dizia - "o mar serenou quando Ela pisou na areia". Das mãos da criança subiria um balão, com um coração. Igual ao do caderno e do recreio. Com o mesmo nome - "Laura". O Catumbela cresceria então de novo e na corrente forte estremeceria um lamento - "Laura... quanta saudade".
    Nunca de lá saímos. Essa é a verdade.
    E agora que já todos comemos, bebemos e dançámos vamos pôr o Caetano no avião, levar a Cris ao maxibombo e rezar para que ele chegue a Benguela. Quanto a nós - vamos cair na piscina e beber o que da receita escondemos como mais precioso - "a cachaça de Três Pontas". Caseira, do inetrior de Minas. E depois...ao primeiro gole... ver as caravelas nas águas dela. Porque tudo é possível. Se cá metem os barcos nas garrafas, lá vamos soltá-los. Se não fosses tão bonita iria enchugar-te o cabelo na toalha. Mas assim vou disfarçar e põr o gira-discos a tocar. Quarenta e cinco rotações e Gianni Morandi - "Non So Degno Di Te".
    Um beijo de Muito Obrigado por teres escrito que me dei bem na Cozinha.
    Quanto a ti, Cris - esperamos por ti. A estrada está má, mas penso que não vais escapar da Cozinha. Vou começar a mexer os pauzinhos. Vou até encomendar uma "reza".
    Adeus Laura. Um beijo e Obrigado,
    Júlio

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  29. Para uma amadora de histórias sobre uma Angola, uma vez que a minha curta idade não permitiu viver de outra forma, este livro fez me viver uma vida que não é minha e fazer " amizade " com algumas pessoas. Nao quis acreditar que estava perante uma história verídica, mas o sofrimento e a esperança do livro são tão reais...
    Aguardo uma continuação para breve.
    Obrigada pela viagem Júlio
    Ana Pinho

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    1. Olá Ana Pinho,
      Antes de mais Muito Obrigado por este seu comentário.
      Dele retenho esta parte de uma das suas frases - "este livro fez-me viver uma vida que não é minha".
      Para quem não conhece a Ana Pinho passo a referir que tem menos 10 anos que a minha filha, a Susana.
      A Susana, 32 anos de idade, brincava em pequenina, em frente à televisão. Lembro-me bem do dia em que eu trouxe para casa uma cassete de VHS que muito alegrou a Susana. Era do filme - Música no Coração.
      A Susana tinha ainda uma outra particularidade - usava no cabelo sempre uma bandolete feita em malha. Variavam as cores mas o lacinho, também em malha, e por cima da bandolete, dão-me até hoje a sensação de que a minha filha Susana nunca cresceu. Irrequieta, tinha, tal como a Ana Pinho tem, cabelos louros, compridos, e uma beleza suave.
      Sempre que entro na Cabovisão é imensa a quantidade de perguntas, vantagens , desvantagens, facturas, recibos, clientes. E por trás de tudo, dois cenários - a minha filha Susana, na minha memória, em criança, dançando e cantando as músicas do - Música no Coração, e o rosto simpático e bonito e mais os cabelos "tal e qual" da Ana Pinho.
      No meio de tanta algazarra, por entre clips e agrafos, a Ana Pinho vai garantindo a cada cliente mais um mês de plenas emoções na tela do televisor. Menos atentos, muitos não se apercebem que hoje é uma dádiva a quantidade de emoções proporcionadas. Que atrás do balcão quem atende é alguém na idade de sonhar, de sentir, de se apaixonar.
      Já vi a Ana Pinho cansada. O que posso garantir é que mesmo assim sempre guarda mais um sorriso. Que por trás da sua alegria e sem que ela se aperceba, revejo a minha filha Susana. De lacinho na cabeça e esforçando-se nas escalas do Música no Coração quando a Júlia Roberts desliza do Dó ao Lá, como se isso, de tão seguro e afinado, normal assim fosse.
      A última vez que a vi, a Susana deveria estar com a sua idade Ana Pinho. Talvez um pouco mais. Entre os 24 e os 25.
      Ela criticou muito este meu esforço pela viagem que o livro descreve e de que lhe falei muito antes de o lançar. Dessa última vez e até hoje passaram-se já uns bons sete anos.
      Mas o sofrimento não passou despercebido à Ana Pinho. E nem poderia, pelo menos para quem a conhece como eu. Por isso, deste texto da Ana Pinho também retenho -- "Não queria acreditar que estava perante uma história verídica, mas o sofrimento e a esperança do livro são tão reais..."
      Um dia destes, um rapaz com 14 anos e que perdeu o pai recentemente, quis dar-me um aperto de mão. Foi, penso eu, numa das semanas das últimas férias grandes. Talvez ele e a Ana Pinho tenham sido até hoje os leitores mais novos deste livro. E mesmo sem as muitas outras alegrias que ele ( livro ) me tem trazido, seria já inevitável que um segundo livro não viesse continuar a história da Ana Liz.
      De novo um Grande Muito Obrigado.
      Quanto à Cabovisão, pelo que posso perceber através de si, tem um excelente Departamento de Recursos Humanos.
      Até um dia destes, na loja da Vila da Feira, para mais um mês de emoções fortes como aquela a que acabei de assistir - "Não Por Acaso". É o título do filme brasileiro que agora terminou. O pai, controlador de tráfico rodoviário, provocou a paragem simultãnea de todo o trânsito bem no centro da Grande S. Paulo para poder suster a partida da filha. Preso no trânsito, o taxi foi o lugar que permitiu o entendimento entre pai e filha. "Não Por Acaso", um filme que acabou de passar na Rede Globo. "Não Por Acaso", escrevi estas poucas palavras para si mas também com o pensamento na minha filha.
      Obrigado Ana Pinho por ter lido o meu livro e por toda a sua simpatia e atenção. Sou seu Fã É seguramente a pessoa mais sensível e compreensiva que conheço e admiro.
      Júlio


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  30. Parabéns Júlio!
    Um excelente livro. Drama, amor, guerra, esperança, suspense....
    Ingredientes de um besteseller. Adorei! que Deus te acompanhe na caminhada da escrita, da vida. E a saudade que adormeça o teu coração e te embale em dias felizes.
    Força!
    Cristina Maya Caetano

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    1. Olá Cristina,

      Quem é a pessoa por detrás de duas frases tão bem sentidas? - "Que Deus te acompanhe na caminhada da escrita" e " que a saudade adormeça o teu coração e te embale em dias felizes".
      MUITO OBRIGADO por ter lido este livro que me tem dado a alegria de ver chegar pessoas com a sua sensibildade. É como se à entrada de um grande jardim houvesse um arco emoldurado com flores algures entre o rosa e o branco e eu me deliciasse, por debaixo dele, com a chegada de mais uma pessoa vestida de sensibilidade, e de paixão pela "paixão". Pelo meio do jardim alguém passeia com uma bandeja em prata. Os copos têm em si o borbulhar de um líquido que sabe a frutos silvrestres. Borbulha o vidro. É denso o suco. E entre si conversam todas as flores deste meu Jardim. Têm nomes lindos - Laura, Clara, Manuela, Maria João. Arsénia é incansável e tal como Ana Liz detém-se junto aos lírios. Mais ao lado o carácter e a tenacidade do Jeremias simulam uma rocha de determinação por onde escorre límpida uma melodia feita cascata e água. Parece sair de uma pequena latinha em chapa com motivos infantis. Sim, é dela que flui suave a música que parece perfumar todo o jardim alegrando assim" a caminhada da escrita e da vida". Dias felizes chegaram com a Cristina, seguidos dos desejos que transporta no seu corção. Com uma vénia aceno um sim e estendo a mão indicando-lhe a entrada.
      Ficou muito mais rico este jardim que preservo e cuido dia a dia, palavra a palavra. Por cima de tudo um céu bem azul. Caetano canta no seu nome e o amarelo é a sua cor. Cor de flor e escarpa. Passa e de seguida logo me escapa um suspiro de alegria. Um pouco mais longe vislumbro um bando de flamingos que não respeita a linha da costa. Sobrevoam o jardim e parece-me que se dirigem a Moçambique. Vão atravessar África e colorir uma ilha.. E se do jardim o sol nunca se afasta, da lha nunca se afasta o mar.
      OBRIGADO CRISTINA por este seu comentário.
      Por inédito que pareça não consigo calar uma pergunta - tem Moçambique na sua rota? É ave ou flor? Ns suas duas frases denuncia viagens e saudade. E indiscustível e permanente, em si, a presença do Amor.
      Entre e converse. Entre os sucos, sugiro o de alperce.
      O jardim é seu.
      Um Abraço Angolano,
      Júlio

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  31. Parabéns Júlio!
    Um excelente livro com os ingredientes certos de besteseller: drama, guerra, saudade, amor, revolta, suspense....
    Que o amor acalame o teu coração e sigas o teu caminho em luz, certo que fizestes o teu melhor...
    Força!
    beijinhos.
    Cristina Maya Caetano

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  32. Estimado Júlio!
    Acabei há instantes de ler o seu livro, que muito me emocionou! Este final é de matar, fica-se com água na boca para os seus próximos livros...
    Gostei bastante., como já lhe tinha dito via telefone e à medida que fui avançando na leitura. Toda a panóplia e profundidade de sentimentos que o livro incorpora tocou-me a alma, mas o que gostei mais foi ficar a saber coisas sobre áfrica e a descolonização, já que a minha geração está compeltamente desfasada em relação ao que se passou há 40 anos. Eu próprio. apesar de ter relacionamento com muitos familiares africanos e já me ter deslocado a Angola em 2004, confesso ser um ignorante quase completo em relação a estes assuntos...
    De resto, achei muito interessante o pormenor da língua portuguesa africanizada e falada pelos nativos, que é reproduzido no livro... Bom aspecto linguístico!...

    Há coisas sobre O Último Retornado que nunca vou esquecer: os riscos no chão feitos por Jeremias vão-me acompanhar para sempre, assim como as recordações do muro da praia morena...

    Uma curiosidade: a foto da criança loura que tá no livro é a tal da Ana Liz mesmo?

    Acerca das suas aventuras no brasil agora já estou mais esclarecido depois de ter visto a sua participação no programa da fátima lopes...
    Em relação ao pormenor sobre o Heisenberg, lembrei-me do seguinte: o Júlio está a par da Teoria do Caos e da Geometria Fractal, teorias que desenvolveram o Princípio da Incerteza? (a teoria do caos, depois de confirmada, revelou-se transdisciplinar, e agora tem imensas aplicações práticas, desde a metereologia até à sismologia, economia, etc...)
    Um abraço,
    e parabéns pelo seu excelente romance!
    Paulo Lima

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    1. Olá Meus Amigos e Amigas,
      Este comentário 50 parece que estava destinado a esta ilustre personagem, sobrinho do nosso Grande Ruy Mingas - o Paulo Lima.
      O Paulo Lima é um excente escritor. Tive a alegria de receber dele o seu último livro - "Origem e Ruína" mas que , de imediato, na página 9, me levou a telefonar-lhe a pedir desculpa mas a intensidade do que eu pude ler era ( é ) de tal forma marcante, que me estava a influenciar e eu começava a correr o risco de me desviar da minha forma de escrever. O Paulo Lima, generoso como é, de imediato aceitou o que eu lhe disse.
      Passo a recomendar - "Origem e Ruína", o mais recente livro de Paulo Lima. Mas com uma advertência - preparem-se previamente. Naquelas nove páginas adivinhei um livro marcante.
      Sendo o Paulo Lima um escritor excelente imagino que suspeite que não me vou aqui arriscar-me a escrever muito. Quanto menos... melhor! Mas há uma coisa que não posso deixar passsar. É o seguinte - "todos" os comentários que estão aqui expostos neste extraordinário espaço que a Cris nos proporciona, todos eles, por um motivo ou por outro, acrescentaram-me sempre mais e maior alegria. Fizeram de mim, todos eles, uma pessoa muito feliz. Agora esta sua expressão Paulo Lima - "Há coisas sobre O Último Retornado que nunca vou esquecer: Os riscos no chão feitos por Jeremias vão-me acompanhar para sempre ...". deixaram-me com uma imensa pena de não poder reescrever este livro. Falta nele esta sua frase, palavras que eu não hesitaria em roubar."Elas faltam neste meu livro... " Também "nunca vou esquecer ", quer os riscos, quer este seu comentário intemporal..
      Muito Obrigado Paulo Lima por ter tido a generosidade de ler o meu livro.
      Aquele Abraço Angolano, de Benguela,
      Júlio
      ________________________________________

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  33. Boa noite Sr. Engº Júlio Pereira, como está?
    > Antes de mais quero agradecer o envio do livro, DVD e a mensagem que anexou.
    > Na altura em que mo enviou estava em Lisboa e quando voltei temi já
    > não o encontrar nos correios. Felizmente isso não aconteceu.
    > Vi o DVD primeiro, tal como sugeriu. Viria a ler o livro, na integra,
    > de 27 para 28 de Dezembro.
    > Um livro que me prendeu as mãos às folhas de tal forma que não consegui parar.
    > Como disse, não sou muito admiradora de Romances, apenas porque leio
    > muito poesia e livros da minha área de trabalho. Mas de facto,
    > arrependi-me de o ter dito publicamente, porque depois de ter lido os
    > dois últimos livros, o da Rosa Maria e o do Engº Júlio Pereira,
    > redefini o que é , ou pode ser, um bom romance.
    > Penso que já entendeu que eu adorei o livro. Adorei, desde logo,
    > porque tratando-se de algo que tem como base uma história real, me
    > elevou a expectativa e o interesse, assim como o respeito pelo seu
    > autor e pelos personagens.
    > Depois, a forma magnifica como está escrito. A capacidade de nos
    > "levar" lá! aos locais, aos sons de africa, às cores de Africa, mas
    > sobretudo à Humanidade que existe nos personagens e relativamente à
    > qual já fui relendo em outros romances que têm como registo geográfico
    > esse continente.
    > Os diálogos são maravilhosos, grandiosos na mensagem que nos passa dos
    > valores humanos, intercalados por informação preciosa sobre Africa.
    > Um livro que é uma lição de vida: "ouve o teu próprio coração", não
    > desistas das "promessas", ou de "Sonhos", nesta vida tudo é possível,
    > mesmo que muitos anos mais tarde, o importante é fazer o que o nosso
    > coração nos pede!
    > Um livro onde encontrei poesia, boa poesia sobre o "nosso"
    > Portugal..., um livro onde reencontrei as canções de Abril, os nossos
    > poetas, os nossos cantores, um livro que fala de saudade, de
    > sofrimento, mas não de mágoa ou ressentimento. A história foi assim!
    > Um livro onde aprendi um pouco da nossa historia, muito de sentimentos
    > humanos, de amor, de respeito e de amizades indefiníveis , como o
    > autor diz, como se poderá agora definir amigo, pós conhecer aqueles
    > personagens magníficos?
    > Depois... encontrei também neste livro a nossa amiga especial Rosa
    > Maria, afinal não existem coincidências ! Adorei!
    > Sou filha de Pai retornado ( Luanda), neta de retornado, sobrinha de
    > muitos retornados! Cresci a sentir saudade de uma terra que não
    > conheço e de cheiros e cores que não senti. Mas sempre me falam das
    > relações humanas como algo marcante. Este livro confirmou este facto.
    > O amor que resiste à doença, ao tempo... à (possível) morte... a uma
    > guerra, é Amor. Ponto :-), seja o amor a uma mulher, a um filho, a uma
    > terra,a um sonho!
    > Obrigada pelo livro me ter chegado às mãos de forma tão especial! Foi
    > uma honra para mim.
    > Se fizer apresentações publicas do mesmo adoraria estar presente!
    > Obrigada por esta viagem que me proporcionou, sem sair do meu quarto.
    > Fiquei infinitamente mais rica!
    > Espero pelo próximo!
    > Melhores cumprimentos.
    > Ana Homem de Albergaria

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    1. Srª Drª Ana Homem de Albergaria. O que posso dizer do seu comentário? O que posso dizer destas palavras para mim mas que só me fazem lembrar das suas, quando leu um poema do livro - "Poemas da Vida e do Acaso " da Profª Maria - livro que contém, para mim, um dos mais bonitos poemas do Mundo. Que me lembre, foi a primeira vez que chorei ouvindo um poema. Pouco tempo depois e de novo "o sal molhou o meu sorriso", como dirai o Gonzaguinha. Aconteceu quando a Srª Drª Ana me prendeu no seu poema - "PAI". Ouvindo-a e lembrando-me do meu, de tantas alegrias que com ele tenho vivido brincando à cabra-cega, "driblando o sofrimento inerente aos seus 95 anos de idade". Sorrir a chorar - só mesmo a Srª Drª Ana conseguiu "provovocar-me" assim.. Um "Poema" tocante. Brilhante. Inesquecível.
      Meus Amigos e Amigas segue abaixo o link para o Poema "Pai" da Profª Ana Homem de Algergaria -.
      http://tela-colorida.blogspot.pt/2011/10/pai_15.html
      Também segue aqui o nome do seu mais recente livro - " Nada Direi Sobre o Silêncio" que aguardo ansiosamente.pela oportunidade de o ler.
      Quanto às palavras do comentário da Srª Drª Ana Albergaria foram-me gentilmente enviadas por mail. Tocaram-me de tal forma que arrisquei um pedido à Srª Drª Ana - eu queria muito essas palavras, aqui, no BLOG da CRIS em que sempre nos vamos encontrando. Generosamente a Srª Drª Ana acedeu ao meu pedido e agora posso assim partilhar tais "inesquecíveis" palavras. Respondi por mail e passo a transcrever -
      Srª Drª Ana Albergaria. Teria 500 mil coisas para lhe dizer depois deste mail que me enviou. Mas não vou dizer. Não vou arriscar. Vou-me ficar pela sua frase - "adorei o livro". Tudo o resto que diz ( escreve ) sobre o livro, vindo de si, fica muito para além do que eu posso alcançar. Por isso vou ficar nesta imensa alegria no dia em que me chegou este seu mail e, curiosamente, no dia em que baixou a idade dos que o leram. Hoje ( ontem ) recebi um mail da Filipa, que eu não conheço. Dizia - "Tenho dez anos. A minha avó fala muito de
      Angola e quase sempre chora. Comprei o livro do senhor e ofereci a ela no Natal, mas eu também o queria ler. Depois a minha avó disse - Joana podes ler. Não tem nenhum palavrão nem nenhuma asneira. "É sobre uma criança". Então eu li e queria saber mais da criança, a Ana Liz...
      Srª Drª Ana peço-lhe desculpa. A alegria do seu mail foi imensa -OBRIGADO - mas fico com pena de que não haja escala ( ou dimensão ) para a alegria. Como também não a há para o Amor. Por isso não posso dizer-lhe qual das alegrias foi maior. Dez anos! Acho que são alegrias iguais - sabedoria e caracter, numa mistura singela com
      inocência e pureza. Dez anos! E depois de um
      mail seu... que alegria Srª Drª Ana Albergaria. Que alegria...
      Um BOM ANO.
      Com imensa estima,
      Júlio Boges Pereira


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