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domingo, 11 de novembro de 2012

Ao domingo com... Carlos Daniel


"Que coisa é esta de ser escritor, de QUERER ser escritor?

Como é possível apropriarmos-nos das histórias dos outros, tirar um fragmento daqui, outro dali, misturá-lo com ideias pretensamente nossas e fazermos um livro a que chamamos nosso?

Porquê esta "necessidade" de escrever um livro? Estamos a escrevê-lo para nós próprios, ou para os outros? Pensamos nele como uma reflexão que poderá fazer de nós pessoas mais sábias ou por acharmos que iremos acrescentar alguma coisa à vida dos outros?Escrevemos por vaidade ou por necessidade de afirmação?


Eu gosto de retirar importância e posápia aos "escritores". Não há ninguém que não tenha um livro na cabeça. Cada história é um livro. E os livros são sempre temas roubados e pensamentos construídos sobre aquilo que os outros nos vão oferecendo ao longo da vida.

Eu comecei a escrever aos nove anos. Fiz uns versos amorosos e pueris no dia da espiga,"...quinta feira da ascensão, lá vou eu com o meu amor, a caminho do Fundão..." e depois uma redacção sobre uma viagem da escola ao Santuário de Santa Luzia que foi publicada num pequeno jornal e que acabava assim " ... e no caminho vimos muitas perdizes"!

Segui um percurso profissional um pouco à margem do que verdadeiramente queria, escrevi para jornais, apareci um dia na "República" e propus-me como jornalista ao Raul Rego! Eu estudava Engenharia e ele, de boina plantada, olhou-me com atenção e disse: "...artigos técnicos?" e eu disse que não, que queria escrever crónicas sociais, políticas, comentários sobre a actualidade, pequenas histórias...

Depois fui de roldão atrás da vida, apaixonado por todos os caminhos, carregando o meu saco de sonhos e escrevendo, aqui e ali, escrevendo, escrevendo sempre.

E um dia parei e disse: É agora! 
E foi!
Tinha esgotado todos os prazos que dera a mim próprio para tentar ser escritor, juntei os papéis todos e comecei:
" Estou a escrever este livro à pressa. Os livros têm os dias contados... tal como os barcos à vela, a remos e a vapor ......."
Era como se estivesse a escrevê-lo do fim para o princípio. O livro chamou-se " FOSTE TU QUE ME ESCREVESTE DE SINTRA?" e foi uma aventura vivê-lo.

Este ano editei " A MORTE DO REI DE ESPANHA". Estava há muito tempo escrito na minha cabeça.
Chorei a escrever alguns diálogos, aqueles que foram feitos com as palavras que sobraram de algumas conversas entre pai e filho, entre apaixonados também.

Tenho poemas que quero contar, um quase livro pronto, em prosa poética (isso existe?), um conto fantástico já com princípio, meio e fim, e um livro que ainda só tem o título mas que já é certo que vai acontecer.

 Porque é que eu escrevo? Acho que é para dizer:
" é isto que eu sinto",
"é isto que eu sou",
"é esta a ideia que se construíu em mim acerca do mundo e das pessoas, e acredito que os meus pensamentos e emoções  podem acrescentar alguma coisa às suas vidas, ampliar as suas descobertas e o seu espanto.
À minha também.
Será vaidade?"

Carlos Daniel

3 comentários:

  1. Não conheço ainda este autor mas, depois desta conversa fiquei bem curiosa ...
    beijocas
    Teresa Carvalho

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  2. Gosto!

    Abraço, Carlos Daniel!

    Sucesso, em Beja!

    Até à apresentação do próximo livro... entretanto, vou saboreando, devagarinho, as primeiras fornadas...

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  3. Acabei de ler "A morte do rei de Espanha" de que gostei muito, apesar de ter sido enganado pelo rótulo que lhe puseram (na etiqueta com o preço) de "Romance histórico". Embora nunca se refira no livro, acabamos por perceber - mesmo antes de chegar às páginas finais onde tudo se revela, como de costume nos bons policiais - que o rei de Espanha em causa seria, se fosse, o rei D. Juan Carlos, o actual rei de Espanha. Só tenho uma crítica a fazer, que gostaria que chegasse ao escritor: o único nome que está 100% correcto, mesmo quando se dá o nome completo, é o do tio de Juan Muriel, irmão da mãe. O nome desta também está quase 100% correcto, tendo apenas uma pequeníssima imperfeição na junção do nome de casada ao de solteira. Mas o nome completo do pai de Juan Muriel está muito incorrecto, só estando certo na versão curta e corrente (Pedro Olivares). Se o romance se passa exclusivamente com espanhóis, haveria que respeitar a regra de formação dos nomes em Espanha, que é ao contrário da regra portuguesa. Lá, depois do nome próprio (Pedro, o pai; Juan Muriel, o filho) vem o apelido do pai (que é o que se transmite) e depois, no fim, o apelido de solteira da mãe (aquele que costuma cair). Quando se lêem as páginas finais, em que se revela toda a intriga, aparecem os nomes completos de quase todos os personagens. E neles há muito erro de construção. Sei do que falo, pois sou neto de avô espanhol que veio para Portugal e cá passou a ser conhecido por um nome (o último) que era o da sua mãe, enquanto que nem ele nem minha Mãe nem os meus tios ficaram conhecidos pelo apelido pelo qual ele era, obviamente, chamado em Espanha, que era o do seu pai, evidentemente.

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