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domingo, 30 de setembro de 2012

Ao Domingo com… Filipe Cunha e Costa


"Domingo é sempre um bom dia para pegar na caneta e partilhar algumas reflexões a que nos damos ao luxo no tempo que vai restando entre os livros. E os livros são, de facto, um excelente mote de partida para me iniciar neste espaço onde tive a honra de ser convidado a escrever, ou não fossem eles a paixão que a todos nos une. Partindo da famosa frase de Francis Bacon, "há livros de que apenas é preciso provar, outros que têm de se devorar, outros, enfim, mas são poucos, que se tornam indispensáveis, por assim dizer, mastigar e digerir." Mas afinal, como podemos definir um bom livro?

Parece-me que a melhor definição de um bom livro é aquele que não acaba quando o terminamos de ler, mas que, pelo contrário, permanece connosco muito depois de termos virado a última página e fechado a contracapa. Os bons livros acompanham-nos pelo resto dos dias, estando sempre presente nas nossas vidas a julgar pelas inúmeras as vezes que os invocamos voluntaria ou involuntariamente. Pelo contrário, um mau livro será um livro que acaba antes de nós o terminarmos de ler. Tratar-se-á de um livro que basicamente nada mais tem para oferecer antes de chegarmos ao fim, um livro que falhou no seu objectivo de entreter, e onde o exercício de o ler até à última página só é feito em obediência a um sentido de dever ou obrigação. Assim, um bom livro será um livro que consegue ir mais além da sua função essencial, que é a satisfação de quem o lê no momento em que o lê, e superará as suas expectativas quando consegue fazer o leitor reflectir para além do momento em que está frente a frente com as suas páginas.
Partilho esta reflexão num momento em que se passaram escassos meses desde a minha primeira experiência como autor publicado que aconteceu aquando do lançamento do meu primeiro romance - O Templo dos Três Criadores - um livro que muito prazer me deu a escrever, e que está planeado vir a ser parte integrante de um projecto maior, uma saga de fantasia sob o título Crónicas de Lusomel. Na verdade, este projecto tinha apenas como ambição ganhar asas e sair da gaveta, materializar-se e, com isso, tornar-se um livro. E como livro que é neste momento, procura apenas contar uma boa história e entreter, nada mais. Se for capaz de tocar mais fundo em apenas um ou dois leitores que sejam, e ser aos seus olhos um bom livro, então já terá valido a pena.

No fundo, um livro terá mais ou menos qualidade conforme a sensibilidade de cada um para gostar ou desgostar dele. A literatura, como forma de arte que é, terá sempre um cariz subjectivista, e por isso, quando avaliamos um livro, tal como qualquer outro aspecto da nossa vida, esse julgamento dependerá acima de tudo de nós próprios, e quase nada do objecto que julgamos, por muito que estejamos convencidos do contrário.

Obrigado!"

Filipe Cunha e Costa


Facebook: http://www.facebook.com/pages/Cr%C3%B3nicas-de-Lusomel/204720352964224
Blogue: http://cronicasdelusomel.blogspot.pt/

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