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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Portugueses no Holocausto de Esther Mucznik


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 328
Editor: A Esfera dos Livros
ISBN: 9789896263737

Este livro não é um romance. Foi talvez o primeiro livro sobre História que li com um interesse constante e genuíno. Escrito de uma forma simples, perceptível a todos é, no entanto, um livro pesado pelo tema que aborda. Tema que me fez pegar no livro, mas é certo que tive necessidade em intercalar leituras mais leves, mais softs! Nunca o coloquei de parte. Há livros que têm de ser lidos!


Como relata, frequentemente, as histórias de vida de muitos portugueses ou descendentes de portugueses e seus testemunhos, mantém sempre constante a nossa atenção. Para além disso, a referência a várias obras, diários e até romances baseados em histórias verídicas faz com que tomemos nota para mais tarde investigarmos e colocarmos na "wishlist".

Já aqui referi anteriormente que tenho o hábito de colar um pequeno post-it na primeira página do livro que estou a ler para fazer pequenas anotações no decorrer da leitura. Quando acabei esta obra tinha nem mais nem menos que oito papéis colados. Por aqui podem ver como o assunto tratado e como a forma de escrita da autora me prenderam deveras!

Como foi possível tanta xenofobia e tão exacerbado anti-semitismo? Terá sido obra de um só homem, demoníaco por sinal? Como foi possível que uma sociedade com um elevado nível educacional, tecnológico e cultural realizasse actos tão bárbaros? Ou terá sido mesmo por essa razão? Que responsabilidades tiveram os restantes países europeus na que foi considerada a pior acção do homem? A ocupação a que muitos foram sujeitos não terá escondido os actos que esses mesmos países praticaram e aderiram com tanta destreza? E Portugal, qual o seu contributo? Que poderia ter feito para evitar tantos massacres? O pós-guerra trouxe logo um reconhecimentos das barbáries cometidas ou, pelo contrário, a necessidade de "esquecer" trouxe um segredo cúmplice que serviu para uma não divulgação do que  tinha acontecido?

São tantas perguntas e respostas que surgem com esta leitura! Saliento que os testemunhos verídicos enriquecem sobremaneira esta obra e ficamos a conhecer o destino de muitos portugueses (ou de ascendência portuguesa) que viveram esta e nesta época e que estiveram espalhados pelo mundo. Outros houve (e não foi só o célebre Aristides de Sousa Mendes!) que deixaram marcas positivas por esse mundo fora, ao combater o regime do Terceiro Reich, salvando vidas e indo contra a vontade expressa de Salazar.

Muito mais fica por dizer. Tomar consciência que os alguns países civilizados fizeram parte deste massacre, tanto por omissão como por cumplicidade, foi o que mais me marcou nesta leitura porque não tinha isso presente. E os actos heróicos de pessoas que se destacaram individualmente foi outro aspecto que me fez questionar: O que faria eu se me encontrasse nas suas posições?

Imprescindível esta leitura! Nota máxima!

Terminado em 5 de Julho de 2012

Estrelas: 6*

Sinopse


Baruch Leão Lopes de Laguna, um dos grandes pintores da escola holandesa do século XIX, judeu de origem portuguesa, morreu em 1943 no campo de concentração de Auschwitz. Não foi o único, com ele desapareceram 4 mil judeus de origem portuguesa na Holanda, que acabaram nas câmaras de gás. No memorial do campo de Bergen-Belsen consta o nome de 21 portugueses deportados de Salónica, entre estes Porper Colomar e Richard Lopes que não sobreviveram. Em França, José Brito Mendes arrisca a sua vida, escondendo a pequena Cecile, cujos pais judeus são deportados para os campos da morte.

Uma história de coragem e humanismo no meio da atrocidade. Em Viena, a infanta Maria Adelaide de Bragança também não ficou indiferente ao sofrimento, e não hesitou em ajudar a resistência nomeadamente no cuidado dos feridos, no transporte de armas e mantimentos, tendo sido presa pela Gestapo. Esther Mucznik traz-nos um livro absolutamente original, baseado numa investigação profunda e cuidada em que nos conta a história que faltava contar sobre a posição de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial.

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