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terça-feira, 24 de julho de 2012

A convidada escolhe...Noite de Elie Wiesel


Às vezes estamos quase em simultâneo a ler o mesmo livro, ah Teresa? E as opiniões não divergem muito... Este livro é para ser lido! (Cris)


"Começo já por atribuir a este livro o "rótulo" de excepcional.

Depois de ler Se isto é um homem de Primo Levi e uns tantos mais sobre esta temática, achei que seria dificil chocar-me ainda mais com os crimes do nazismo. Estava enganada...
Mais uma vez choquei-me, indignei-me e senti-me arrasada com esta leitura. Nunca se está preparado para a abominação, para a desumanidade, para ver o pior do ser humano.

Noite é o relato de Elie Wiesel sobre a sua vida no campo de Auschwitz III (Buna) e posteriormente em Buchenwald, mas também nos fala sobre a sua vida antes de ser apanhado pelo horror do Holocausto, sobre o rapazinho estudioso do Talmude que ambicionava ir mais longe e iniciar-se na Cabala, um rapaz dedicado ao seu Deus.

É doloroso ler sobre a perda da inocência, da fé, sobre os horrores ocorridos naqueles campos de extermínio mas é também avassalador ler sobre a capacidade que Elie teve em manter tanto tempo o seu amor, apoio e protecção ao seu pai. Conseguir naquelas condições pensar  no outro é algo que nos faz ter esperança na capacidade do ser humano em colocar o sentimento acima do proveito próprio. Os laços afectivos com o pai mantiveram-se praticamente até ao final e mesmo quando Elie vacilava na protecção ao pai, acabava sempre por se arrepender de o ter feito. Quantos de nós teriamos essa capacidade? Quantos de nós em situações semelhantes, esqueceriamos tudo e todos apenas teriamos capacidade para pensar na nossa própria sobrevivência? Faz-nos pensar como uma criança que vive aqueles horrores, sente a sua fé no seu Deus vacilar e diminuir e ainda assim consegue manter vivo o sentimento, a humanidade, a esperança e o amor.

Não há muito mais que possa dizer sobre este livro pois tudo o que dissesse seria sempre insuficiente!
Adjectivando, é avassalador, doloroso e perturbante mas por isso mesmo imprescindível e magnifico.

Ler este livro é manter viva a memória de quem pereceu naqueles campos de horror, é prestar homenagem a tantos homens e mulheres, jovens ou mais velhos, que foram cruelmente exterminados em nome duma idiologia.

Para terminar, deixo-vos um excerto inesquecível.

"Nunca esquecerei aquela noite, a primeira noite no campo, que fez da minha vida uma noite longa e sete vezes aferrolhada.
Nunca esquecerei aquele fumo.
Nunca  esquecerei os pequeninos rostos  das crianças cujos corpos eu vi transformarem-se em espirais sob um céu mudo.
Nunca  esquecerei aquelas chamas que consumiram para sempre a minha Fé.
Nunca esquecerei aquele silêncio nocturno que me privou, para a eternidade, do desejo de viver.
Nunca  esquecerei aqueles momentos que assassinaram o meu Deus e a minha alma, e que transformaram os meus sonhos em cinzas.
Nunca esquecerei, mesmo que tenha sido condenado a viver tanto tempo quanto o próprio Deus.
Nunca." (pág. 48)"

Teresa Carvalho


2 comentários:

  1. Eu tenho este livro e acabei de o ler á poucos dias. É horrível o que aconteceu com as pessoas. O desespero para ter um bocado de pão e um pouco de sopa. Até as roupas os prisioneiros dos campos de concentração tiravam dos mortos. Não consigo imaginar esse ambiente. A parte que me incomodou foi a parte final, a maneira como o pai do Eliezer acabou. Muito triste.

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    Respostas
    1. É um livro dificil de ler mas mais dificil é pensarmos que foi realidade!

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