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quarta-feira, 23 de maio de 2012

D.Maria II de Isabel Stilwell


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 704
Editor: A Esfera dos Livros
ISBN: 9789896263690

Há livros que sei de antemão que vou gostar da sua leitura. Isabel Stilwell não é uma desconhecida para mim e a sua escrita simples, despretensiosa mas repleta de pormenores, capta a atenção do leitor, tornando estas horas de leitura num verdadeiro prazer.  

A capa é perfeita. Agrada-me os seus tons rosa suave e dourado velho. Embora não goste de admitir, os meus olhos ficam presos a uma capa bonita e apelativa!

A mudança frequente de narrador, as cartas e os diários das personagens, conferem à narrativa um tom íntimo e um ritmo intenso que me agradou muitíssimo. Não há momentos monótonos ou não fosse a vida de D. Maria II que aqui é retratada! Uma vida que de monótona não teve nada, começando logo desde muito pequena quando, escutando às portas, ouviu uma discussão entre os seus pais (D. Pedro I e D. Leopoldina) e assistiu quase em directo aos maus tratos infligidos a sua mãe, grávida, acabando esta e o bebé por falecer. A sua infância, marcada pela doçura de sua mãe e pelo temperamento inconstante e, por vezes, agressivo de seu pai, marcaram-na profundamente. 

Os personagens apresentam-se-nos como realmente devem ter sido, com as suas qualidades e defeitos. D. Maria II surge as nossos olhos como uma pessoa cheia de vida, alegre, muito frontal mas também de uma teimosia extrema e um pouco vingativa. O mesmo se passa com todos os que mais directamente lidaram com a rainha. Este carácter humano dos personagens leva a que criemos uma empatia mais acentuada com alguns deles.

Numa época em que a mulher tinha um mero um papel de troca, que servia somente para unir casa reais, D. Maria II impôs-se e liderou sempre o reino, não deixando para outros as decisões importantes, num país que estava constantemente em guerras pelo poder - liberais v.s. absolutistas. E o facto de ter conseguido manter um casamento feliz, apaixonado e uma família unida, ainda mais me surpreendeu, já que era habitual, nesses tempos, o rei possuir várias amantes e isso ser considerado um direito que as mulheres tinham de fechar os olhos e de os filhos serem, muitas das vezes, criados por outras famílias importantes e afastados dos pais.

Muitas partes do livro foram baseadas nos diários da Rainha Vitória, prima de D. Maria, e nas cartas amigas que trocaram durante toda a vida. Ao tentar reconstruir esses elementos, dando-lhes um carácter pessoal e intimo, Isabel Stilwell consegue aproximar o leitor e prendê-lo verdadeiramente a todo o enredo e à vida tão intensa desta rainha única.

Gostei verdadeiramente e aconselho a quem gosta de romances históricos e, também, a quem pensa que ler um romance deste género deve ser um "tédio". Já pensaram em experimentar? Este é um bom começo e as suas quase 700 páginas não devem servir para afugentar... antes pelo contrário! 

Terminado em 18 de Maio de 2011

Estrelas: 5*

Sinopse:

Com apenas 7 anos, Maria da Glória torna-se rainha de Portugal. Um país do outro lado do oceano que nunca havia pisado. A sua infância foi vivida no Brasil, entre o calor e os papagaios coloridos que admirava na companhia dos seus irmãos e da sua adorada mãe, D. Leopoldina. A ensombrar esta felicidade apenas Domitília, a amante do seu pai, imperador do Brasil e D. Pedro IV de Portugal. Em 1828 parte rumo a Viena para ser educada na corte dos avós. Para trás deixa a mãe sepultada, os seus adorados irmãos e a marquesa de Aguiar, sua amiga e protetora. Traída pelo seu tio D. Miguel, que se declara rei de Portugal, e a quem estava prometida em casamento, D. Maria acaba por desembarcar em Londres onde conhece Vitória, a herdeira da coroa de Inglaterra a quem ficará para sempre ligada por uma estreita relação de amizade. Aos 15 anos, finda a guerra civil, D. Maria pisa pela primeira vez o solo do seu país. Seria uma boa rainha para aquela gente que a acolhia em festa e uma mulher feliz, mais feliz do que a sua querida mãe. Fracassada a sua união com o tio, agora exilado, casa-se com Augusto de Beauharnais que um ano depois morre de difteria. Maria era teimosa, não desistia assim tão facilmente da sua felicidade e encontra-a junto de D. Fernando de Saxo-Coburgo-Gotha, pai dos seus onze filhos, quatro deles mortos à nascença.

3 comentários:

  1. Já tenho esse romance em fila de espera e espero-o ler no próximo mês. As minhas expectativas são altas face à qualidade das anteriores obras da autora.
    A tua opinião está muito boa!

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  2. Estou muito curiosa em relação a este livro! Agora lendo o teu comentário ainda fiquei mais! Também adoro a capa, é lindissima, muito bem conseguida! Acabei à pouco tempo de ler um romance desta autora, Filipa de Lencastre, e também adorei! Além disso sou fã de romances históricos!

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  3. Gosto de remances com História. Vou lè-lo logo que possa.

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