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terça-feira, 20 de março de 2012

A convidada escolhe: Um longo regresso a casa

A Fernanda já me tinha falado neste livro, em como ia ser difícil voltar a pegar nele para elaborar uma opinião... Mas há coisas que precisam de ser feitas e livros que precisam de ser lidos! Este é um deles. (Cris)

"Já li este livro há umas semanitas mas confesso que o tenho andado a “digerir” para escrever esta opinião…

A proximidade da minha vivência com o cancro do pulmão – infelizmente reincidente - e a maior semelhança ainda com a minha história com a minha melhor amiga levaram-me a fazer uma leitura bastante lenta deste livro…

Um livro sobre a amizade, mas também sobre a força, o superar dificuldades e o superar-se!! “Numa situação de crise, fechava-me a mim própria, mais receosa de que alguém me desiludisse do que de ter de fazer as coisas sem ajuda.” (p. 122)

Com Gail e Caroline mergulhei no mundo desconhecido do alcoolismo, e senti-me perturbada com toda a sua envolvente, com os subterfúgios que se escondem em cada pessoa que se refugia na bebida. “(…) o mundo tal como o vemos é apenas uma versão publicada. (…)” (p.81)

Ao longo deste livro assistimos a vários momentos de libertação, à sedimentação de uma amizade e à sobrevivência após o luto, os vários lutos, porque ao longo da história vamos acompanhando vários lutos. Como diz Gail “(…) é possível atravessar o medo e sair chamuscado, mas a respirar. (…)” (p. 90)

Esta história autobiográfica é um relato bem vívido do sofrimento e da dor, mas como podemos ler na contracapa, uma ode à força da amizade e do amor. Porque “No que diz respeito ao sofrimento, a única educação que cada um de nós recebe é um curso intensivo.”
(p.166)

“Sempre me haviam desagradado os eufemismos que a civilização adoptara para a morte: «foi-se», «partiu», «faleceu». Pareciam-me evasivos e sentimentais, uma forma de branquear o conceito de morte, retirando-lhe a sua força declarativa. Agora, eu sabia por que motivo o vocabulário fora suavizado.” (p.168)

“Hoje sei que nunca ultrapassamos as grandes perdas: absorvemo-las e elas esculpem-nos até nos tornarmos uma pessoa diferente, frequentemente mais generosa” (p. 199)

Saí deste livro com o coração do tamanho de uma noz mas jamais deixaria de o ler. Ler Gail, conhecer a história da sua amizade com Caroline fez-me crescer porque “(…) O sofrimento é o factor que muda o final do jogo (…)” (p. 159)

Sei que a Odete Silva também leu este livro perturbador e gostaria, por isso, de ler a sua opinião, já que a minha se encontra toldada pela dificuldade que ainda agora encontro ao escrever estas palavras…"

Fernanda Palmeira

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