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sábado, 25 de março de 2017

Na minha caixa de correio

  

  

Ofertado pelas editoras parceiras do blogue (às quais agradeço a alegreia dada!), chegaram cá a casa:
Silêncios de Amor da Topseller,
O Feitiço de Marraquexe da Porto Editora,
Isabel de Aragão da Manuscrito,
Ofertado pela autora, Joana Santos Silva, "Oníria".
Ganho nos passatempo do JN, Um Lugar Chamado Angola e O lIvro Grande de Tebas Navio e Mariana,
Oferta de um amigo, "Mil Anos de Esquecimento.


sexta-feira, 24 de março de 2017

"A Serpente do Essex" de Sarah Perry

Este livro manteve-me expectante quase até metade das suas 400 páginas. Confesso até que um pouco duvidosa sobre o prazer que iria retirar da sua leitura. A Serpente de Essex? O título fez-me lembrar imediatamente algo irreal e acredito que escrever sobre monstros marinhos e suas lendas não deva ser tarefa fácil porque pode-se cair em efabulações que, particularmente, não me entusiasmam muito. No entanto, isso não se verificou de todo! O livro é de fácil leitura, com uma escrita atractiva.

A acção remete-nos para Inglaterra, por volta de 1890. Através da caracterização dos personagens a autora faz um retrato muito real da era vitoriana. A ideia que tinha sobre esta época é que seria uma sociedade pródiga em moralismos, preconceitos rígidos e proibições severas em que o papel da mulher era bastante limitado, claro. Ora, Cora, a personagem sobre a qual gira a acção, foge bastante ao esteriotipo de como deveria comportar-se a mulher na altura. Cora começa verdadeiramente a viver depois da morte de seu marido. Sentia-se aprisionada, limitada nos seus gestos, ignorada, reprimida e é com uma alegria que quer conter, ou pelo menos não mostrar abertamente, que assiste ao terminus do seu casamento e altera toda a sua vida. Um pouco excêntrica tanto na sua forma de vestir como nas suas ideias muda-se, com o seu estranho e distante filho e uma amiga para Colchester onde se depara com alguns rumores sobre a serpente de Essex e com alguns habitantes de uma aldeia próxima bastante sui generis.  A autora, quanto a mim, soube caracterizá-los ao pormenor e com mestria o que me despertou um interesse crescente.

Assim, lentamente, os personagens foram-se-me entranhando. Gostei particularmente das descrições dos procedimentos médicos no que concerne, por exemplo, ao tratamento e investigação da tuberculose e também, dos relatos das dificuldades sociais vividas pela população mais pobre.

O desenrolar dos acontecimentos adensa-se e, se tinha algum receio inicial de não gostar desta leitura, ele desvaneceu-se totalmente. A floresta, os pântanos, o denso nevoeiro muito bem descrito; a crescente empatia com os personagens; a forma como é descrita toda uma população que reage e sobre-reage a uma lenda dando outro sentido aos acontecimentos que se fazem sentir; o romance que nasce entre dois personagens, que sendo importante, não cai no erro comum de dominar a história, tudo isto fez-me estar presente no local e na época. E isso é o que nós, leitores, procuramos quando pegamos num livro, não é? Estar dentro da leitura, pertencer à história que estamos a ler...

Gostei particularmente do final que não poderei considerar como "aberto" mas sim de "subentendido". Como se o livro terminasse com reticências e não com dois pontos e muito menos com um ponto final.

Depois de acabar as últimas páginas tive vontade de pesquisar sobre esta lenda da serpente que dá título ao livro e de que não tinha ouvido falar. Existiu realmente todo este temor que chegou a condicionar a vida de algumas pessoas? E isso é outra das coisas que me faz ser uma leitora ávida: aprender, pesquisar, conhecer. 

Por tudo isto posso afirmar-vos que gostei muito desta leitura e que a recomendo!

Terminado em 18 de Março de 2017

Estrelas: 4*+

Sinopse
Londres, 1893. Quando o marido de Cora Seaborne morre, a viúva inicia uma nova vida marcada ao mesmo tempo por alívio e tristeza.
Não teve um casamento feliz e ela própria nunca se adequou ao papel de mulher da sociedade. Acompanhada pelo filho, Francis - um rapaz curioso e obsessivo -, troca a cidade pelo campo de Essex, onde espera que o ar fresco e os grandes espaços lhe proporcionem o refúgio de que necessita.
Quando se instalam em Colchester, chegam-lhe aos ouvidos rumores de que a Serpente do Essex, conhecida por em tempos ter percorrido os pântanos na sua avidez de colher vidas humanas, regressou à aldeia de Aldwinter. Cora, naturalista amadora sem interesse por superstições ou questões religiosas, fica empolgada com a ideia de que aquilo que as pessoas da região tomam por uma criatura sobrenatural possa, na realidade, ser uma espécie ainda por descobrir. Quando decide iniciar a sua investigação é apresentada ao vigário de Aldwinter, William Ransome. Tal como Cora, Will sente uma desconfiança profunda em relação aos boatos, que considera um fenómeno de terror de caráter moral e um desvio da verdadeira fé. Enquanto Will procura tranquilizar os paroquianos, inicia-se entre ele e Cora uma relação intensa; apesar de os dois não concordarem a respeito de nada, são atraídos e afastados um do outro inexoravelmente, a ponto de isso modificar a vida de ambos de formas inesperadas.
Escrito com uma delicadeza e uma inteligência cheias de requinte, este romance é sobretudo uma celebração do amor e das muitas formas que ele pode assumir.

quinta-feira, 23 de março de 2017

A escolha do Jorge: "Os Excluídos"

Há livros que passadas semanas pouco nos recordamos deles, dos seus personagens, das suas histórias, ficando somente uma vaga ideia se gostámos ou não da obra. Outros há que passados meses e até anos, os seus personagens e enredos apresentam-se gravados na nossa memória como se fizessem parte de nós.
O livro que apresento hoje é um pouco exemplo disso. Não se trata de uma leitura realizada nas últimas semanas, mas sim no Verão passado. Por alguma razão, acabei por nunca ter escrito sobre o livro, não que tivesse dado primazia a outros ou que tivesse gostado mais de outros em detrimento deste. Não aconteceu simplesmente.
O livro que proponho esta semana intitula-se “Os Excluídos” de Elfriede Jelinek (n. 1946), Prémio Nobel da Literatura, em 2004, e constituiu uma das minhas leituras preferidas de 2016, tendo sido igualmente o primeiro contacto que tive com a escrita desta autora austríaca.
Viena. Anos 50. Um grupo de jovens tem a pretensão de se demarcar do modo de vida e dos valores face à geração anterior com todo um passado ligado ao nazismo e a tantos outros esqueletos no armário. A Áustria, neste período da História recente, é ela própria um cadáver tentando sobreviver ao passado e às escolhas que fez enquanto país. Um país cujos jovens tentam sobreviver ao estigma da culpa dos progenitores face à mancha sangrenta derramada na História da
humanidade, mas cujas estratégias de sobrevivência não os torna necessariamente melhores pessoas, melhores seres humanos, em comparação com os seus pais.
Jovens que têm a pretensão a constituir uma elite formada, em boa verdade, por pessoas já falhadas por carregarem o estigma do passado. Jovens que almejam pertencer a um grupo culturalmente superior, mas cuja distinção apenas consegue fazer vítimas dos seus desejos primários. Sentirem prazer ao espancarem um indivíduo é tudo quanto o seu nível cultural consegue almejar! Mas estes jovens pretendem ir mais longe. Gostariam de perceber e de sentir o que é tirar a vida a alguém. Jovens pérfidos, psicologicamente perturbados, valores fora do lugar num país à nora que tenta
encontrar o seu rumo face a tanta loucura, sofrimento e assassinatos perpetrados no decurso da 2ª Guerra Mundial.
Elfriede Jelinek não é mansa a escrever! Diria que a autora é dotada de uma escrita fortemente masculinizada, bruta, despojada de sentimentos, fria como uma máquina numa fábrica que cumpre a sua função. Não raras vezes, o leitor é confrontado com momentos de irritação, má-disposição, enervamento e vontade até de largar o livro. A escrita de Elfriede Jelinek é despojada de floreados ou prosa poética. Se é para bater, bata-se com força! É para doer! Se é para matar, que se seja exemplar no acto!
Com Elfriede Jelinek temos o lado negro e obscuro da literatura que nada mais é do que um reflexo de tudo quanto é mau na humanidade, nos sentimentos e no agir. Elfriede Jelinek é crua e cruel na forma como escreve e talvez seja graças a esses traços que uma obra como “Os Excluídos” dificilmente de esquece, mesmo tendo passado tanto tempo depois da leitura.
Não direi de forma alguma que “Os Excluídos” é um livro amoral ou imoral ainda que os personagens actuem entre uma e outra, no entanto, não deixa de ser uma obra inquietante e não menos terrível. Em todo o caso, Elfriede Jelinek é um “monstro” a escrever!
Mais, não deixa de ser preocupante face ao rumo que a Europa está a tomar nos dias que correm, na sequência do avanço inclemente e impiedoso da extrema direita, que este romance não deixe de ter eco até ao presente. A indiferença e o desejo de opressão e de exclusão face ao outro que se considera estranho ou a mais na sociedade, passa gradualmente a ser alvo político de radicalismo onde falta o bom senso e o sentido de História e a recuperação da memória para medir perigos iminentes, tão semelhantes ao período da década de 30 e início dos anos 40 do século passado.

Excertos:
“Sade diz que é preciso cometer crimes. Usa-se a palavra crime a este propósito para seguir o consenso geral, mas entre nós nunca designaríamos assim um dos nossos actos (Anna). Nós precisamos da norma válida na consensualidade para nos excitarmos com a nossa própria desmesura. Somos monstruosos, ainda que tenhamos o aspecto de burgueses como camuflagem. Somos filhos de burgueses mas não ficámos por aí. No íntimo estamos corroídos de más acções, no exterior somos alunos do liceu.” (pp. 44-45)

“A mãe comete agora o erro decisivo, como sempre que se enfurece e já não consegue controlar-se perante o seu filho, de falar do campo de concentração, da criança que estava a comer uma maçã e que foi atirada contra a parede até morrer, e cuja maçã foi a seguir acabada de comer pelo assassino. E das crianças que foram atiradas da janela do segundo andar por crueldade. E da mãe que foi mandada para a câmara de gás com o filho de dois dias porque tinha pedido ao médico que ainda a deixasse dar à luz. O médico tinha autorizado.” (p. 144)

Texto da autoria de Jorge Navarro

sábado, 18 de março de 2017

Na minha caixa de correio

     

   

  

  

 



Comprados numa loja Cash Converters: A Grande Casa, Alguma Vez Tiveste Uma Família, Unha com Carne e Adeus Avô.
Não se Pode Morar nos Olhos de um Gato e Morrer Sózinho em Berlim, oferta de aniversário.
Três Bichos te Esperam e Quatro te Comerão oferta do autor.
A Substância do Mal, oferta de Suma de Letras.
Da Elsinor, chegou-me Yoro.
Deus não Mora em Havana, oferta da Bizâncio.
A Mãe Eterna foi oferta da Objectiva.
Da Editora Arena, O Segredo da Cura.
Da Chá das Cinco, Superalimentos - Refeições com Mais Vida.
Corações de Pedra, foi oferta da Saída de Emergência.
O Poder das Pequenas Coisas, presente da Editorial Presença.
O Livro do Chá Matcha, oferta da Planeta.
Comprado em segunda mão, entrou em casa Baluartes.




sexta-feira, 17 de março de 2017

Convite para primeiro lançamento da Editora Minotauro


Novidade TopSeller


E se o seu filho, sem nunca falar, lhe ensinasse a maior lição da sua vida?

Os Jewell podiam ser uma família comum, mas as suas relações disfuncionais e as sombras de um passado desconhecido não o permitem.

Ben Jewell bateu no fundo do poço. O seu filho de dez anos, Jonah, sofre de autismo profundo, e tanto ele como Emma, a mãe exausta, começam a não conseguir lidar com a doença. Para que o filho seja aceite numa escola adaptada às suas necessidades, decidem forjar uma separação. As lembranças de um casamento feliz são agora meras memórias, perdidas por entre os silvos e os ataques de Jonah.

Ben muda-se para casa do seu pai Georg e leva Jonah consigo. E a partir desse momento, o silêncio que habitava entre as três gerações de homens desaparece. A aura quase mágica de Jonah vai mudar o triste fado da sua família para sempre.

Novidade Presença

O Poder das Pequenas Coisas
de Jodi Picoult 
Ruth Jefferson é uma enfermeira obstetra com mais de vinte anos de experiência. Um dia, durante o seu turno, começa uma avaliação de rotina a um recém-nascido. Minutos depois é informada de que lhe foi atribuído outro paciente. Os pais do bebé são supremacistas brancos e não querem que Ruth, afro-americana, toque no seu filho. O hospital acede a esta exigência, mas no dia seguinte o bebé enfrenta complicações cardíacas. Ruth está sozinha na enfermaria. Deve ela cumprir as ordens que lhe foram dadas ou intervir? O que se segue altera a vida de todos os intervenientes e põe em causa a imagem que têm uns dos outros.

Com uma empatia, inteligência e simplicidade notáveis, Jodi Picoult aborda temas como a raça, o privilégio, o preconceito, a injustiça e a compaixão num livro magistral sem respostas fáceis. O Poder das Pequenas Coisas vai ser adaptado ao cinema, com Viola Davis e Julia Roberts nos principais papéis.

Para mais informações sobre este livro, consulte o site da Editorial Presença, aqui.

Novidade Minotauro

Serpente de Essex
de Sarah Perry 
Londres, 1893. Quando o marido de Cora Seaborne morre, a viúva inicia uma nova vida marcada ao mesmo tempo por alívio e tristeza. Não teve um casamento feliz e ela própria nunca se adequou ao papel de mulher da sociedade. Acompanhada pelo filho, Francis – um rapaz curioso e obsessivo –, troca a cidade pelo campo de Essex, onde espera que o ar fresco e os grandes espaços lhe proporcionem o refúgio de que necessita. Quando se instalam em Colchester, chegam-lhe aos ouvidos rumores de que a Serpente do Essex, conhecida por em tempos ter percorrido os pântanos na sua avidez de colher vidas humanas, regressou à aldeia de Aldwinter. Cora, naturalista amadora sem interesse por superstições ou questões religiosas, fica empolgada com a ideia de que aquilo que as pessoas da região tomam por uma criatura sobrenatural possa, na realidade, ser uma espécie ainda por descobrir. Quando decide iniciar a sua investigação é apresentada ao reverendo de Aldwinter, William Ransome. Tal como Cora, Will sente uma desconfiança profunda em relação aos boatos, que considera um fenómeno de terror de caráter moral e um desvio da verdadeira fé. Enquanto Will procura tranquilizar os paroquianos, inicia-se entre ele e Cora uma relação intensa; apesar de os dois não concordarem a respeito de nada, são atraídos e afastados um do outro inexoravelmente, a ponto de isso modificar a vida de ambos de formas inesperadas. Escrito com uma delicadeza e uma inteligência cheias de requinte, este romance é sobretudo uma celebração do amor e das muitas formas que ele pode assumir.

Novidade Idioteque

Três Bichos te Esperam, Quatro te Comerão
de Manuel Andrade
Um velho numa maca de hospital rebobina a vida, lembrando muito do que passou e questionando o que verdadeiramente subsiste desta passagem efémera. A obra, escrita em 2007, resulta de uma psicanálise retardada a uma relação que o escritor - na altura psicólogo clínico - manteve com um moribundo votado a uma maca de hospital: um velho agreste e violento, inveterado apalpador de rabos de enfermeiras, embora ao mesmo tempo filosófico e senhor de desafiantes derivas mentais. É uma obra catártica que Urbano Tavares Rodrigues não hesitou em classificar de “mergulho nas vísceras do ser humano”, por questionar, de uma forma quase cortante e não raro no fio da navalha, o que andamos afinal nós todos aqui a fazer, o que vale verdadeiramente a pena e o que não vale coisa absolutamente nenhuma. São novos horizontes que se abrem sobre o remorso humano, o desejo ardente que envelhece e as aspirações dolorosamente não concretizadas da existência humana.

quinta-feira, 16 de março de 2017

A escolha do Jorge: "Pastoralia"


Publicado em 2000, a colectânea “Pastoralia” de George Saunders (n. 1958) reúne uma novela e cinco contos, considerados como uma das referências da literatura estadunidense na viragem do século. A obra foi recentemente publicada pela Antígona, cujo autor passa a integrar o leque de autores insubmissos na forma como reflecte sobre a realidade, fazendo uma análise ao modo como o capitalismo estrangulou a vida comum das pessoas, sobretudo aquelas pessoas que perderam o comboio, ficando com a vida em suspenso.
Dificuldades económicas, doenças do foro psiquiátrico tantas vezes desenvolvidas na sequência do desemprego e desestruturação familiar, sobrevivência aniquilada por uma realidade que se impõe e que é estranha e cujos mecanismos de escape e de redenção são tantas vezes o reforço do alheamento social, assim como da consolidação das estruturas políticas e económicas corrosivas que transformam a democracia e o capitalismo numa derrocada social análoga à ideia de a carne se separar dos ossos por deixarem de fazer parte do mesmo organismo.
A falta de aspirações por falta de consciência e até de liberdade, contribui largamente para a dependência de uma parte significativa da sociedade de programas de televisão que ainda a vai embrutecer mais, tornando-a cada vez mais submissa. Toda uma cultura de massas em que não há espaço para a reflexão conduz sobremaneira para essa aniquilação e desmembramento.
“Pastoralia” é a novela de abertura deste volume de George Saunders e, provavelmente o melhor desta obra, talvez pelo seu desenvolvimento e toda a problemática social apresentada. A novela apresenta-se como uma distopia na medida em que apresenta, de uma forma crua e desprovida de
sentimentos, o modo como “simples funcionários” de uma empresa se submetem aos critérios e desígnios de funcionamento da mesma, transformando-se em verdadeiras peças de xadrez em que, face à pressão dos números e dos resultados, haverá sempre alguém a abater, como os mais fracos, os mais frágeis, os incapazes, entre outros. É a sobrevivência pela sobrevivência. É a sobrevivência de quem precisa do trabalho para viver para poder ajudar o filho doente que necessita de acompanhamento e de tratamentos em detrimento de quem precisa de trabalhar para garantir o vício da toxicodependência do filho e para pagar a alguém que cuide da mãe acamada. Uma prioridade que se sobrepõe sobre a outra sem dó nem piedade. Os números, as metas, o desempenho dos funcionários que geram a contenda e a mesquinhez entre si numa tentativa de sobreviver. De sobreviver a algo que não se sabe muito bem o quê, nem como! Mas cuja sobrevivência e modo de vida é controlada por esferas e cúpulas superiores que, tantas vezes, nem sequer um rosto possuem. É o poder da macroestrutura que se impõe, mina e corrompe a vida humana na sua essência, privando-a da realização do seu fim, a felicidade.
Imagine-se uma empresa, um parque de diversões decrépito que tem como objectivo mostrar aos visitantes como se vivia nos tempos do Homem de Neanderthal, no Paleolítico Superior. Os funcionários da empresa simulam habitar a caverna onde não pode haver espaço para falar inglês, libertando-se de tudo o que é referência civilizacional, reflexo das conquistas feitas pela Humanidade, abandonando-se ao viver primitivo, bárbaro, como o simular apanhar bichos para comer, grunhir, desenhando ou pintando na caverna aludindo parcamente à ideia da arte parietal.
É neste contexto que os funcionários deste parque de diversões decrépito vivem não vivendo, anulam-se perante a sua condição de seres humanos face a uma ordem superior que os controla totalmente. O andar por ali nos tempos livres, mesmo sem visitantes, reflecte a forma de rudeza e de indiferença a que a sociedade contemporânea chegou, uma total submissão à ordem estabelecida sem que para tal se questione, por falta de consciência, porque até o trabalhar e desenvolver essa faculdade foi aniquilado.
“Pastoralia” apresenta, neste sentido, situações que têm tanto de caricato, bizarro, mas também de surreal. O humor negro suaviza em certa medida o carácter agressivo das situações descritas, tornando até comoventes algumas das histórias. Se por um lado sorrimos perante a incredulidade apresentada, é certo que também sorrimos perante alguma incapacidade da nossa parte enquanto cidadãos em reverter essa mesma situação. Se “Pastoralia” nos diverte e ocupa o tempo, também nos transmite uma certa frieza e tristeza face à forma como a sociedade chegou até aqui, fazendo-nos questionar qual é o nosso lugar e como pretendemos ser felizes enquanto seres humanos na sua individualidade e em sociedade.

Excertos:
“- Vendeste a televisão? – diz ela.
- Nunca havia programas de jeito! – diz ele. – Se houvesse bons programas, eu teria recuperado de certeza. Mas não. Era tudo chato. Portanto decidi organizar uma festa para toda a gente, porque tinham sido todos tão simpáticos comigo ao deixar-me manter a televisão no meu quarto. E portanto, estás a ver, vendi a televisão, a pensar na festa, e levei o dinheiro à Loja das Festas, para comprar algumas coisas para a festa, chapéus e apitos e assim, mas depois tenho este problema, com substâncias, e portanto, tipo, assim de repente, apeteceu-me substâncias. E depois cruzei-me com um tipo que vendia substâncias. O tipo lixou-me à grande! Aparecer ali com substâncias logo numa altura em que eu tinha dinheiro? Ele estava-se a marimbar para o meu processo de recuperação. 
- Vendeste a televisão da clínica para comprar droga – diz ela.
- Para comprar substâncias, mãezinha, importas-te de usar as palavras certas? – diz ele. – Os nomes que damos às coisas são importantes, mãezinha, o Doe ensinou-me isso numa das sessões. Tudo bem, se calhar não devia ter vendido a televisão, mas tu não és uma consumidora involuntária de substâncias, e sabes que mais, eu sou, por isso é que lá estava. Percebes o que estou a dizer? Eu sei que gostavas de ter um filho perfeito, mas não tens, tens um filho que é um consumidor involuntário de substâncias e que por vezes comete erros de avaliação, tipo pedir uma televisão emprestada e depois vendê-la para comprar substâncias.
- Ou anéis e jóias – diz Janet. – Os meus anéis e as minhas jóias.
- Foda-se mãezinha, isso foi há tanto tempo! – diz ele. – Porque é que estás sempre a falar nessas merdas antigas? O Doe é que tinha razão. Para tu ganhares, eu tenho de perder. Tipo como quando eu era miúdo e disseste à frente da rua inteira que eu era torturador de animais? Isso magoou-me muito. Isso causou-me muitos problemas. Estávamos a resolver esse assunto nas sessões de grupo antes de me vir embora.
- Apanhei-te a torturar um gato – diz ela. – Com a porra de um espeto.
- Um espeto que eu próprio construí na aula de Trabalhos Manuais – diz ele. – Mas claro que dessa parte nunca falas.” (in “Pastoralia”, pp. 44-46)

"Na urbanização Carvalho do Mar não há carvalhos nem há mar, só uma centena de apartamentos sociais com vista traseira para os correios. A Min e a Jade estão a amamentar os bebés enquanto vêem um programa chamado 'Como o Meu Filho Morreu de Morte Violenta'. A Min é minha irmã. A Jade é nossa prima. 'Como o Meu Filho Morreu de Morte Violenta' é apresentado por Matt Merton, um loiro com um metro e noventa que está sempre a abraçar os pais pelos ombros e a dizer-lhes que foram santificados pelo sofrimento. O programa de hoje apresenta um miúdo de dez anos que matou um de cinco anos quando este recusou juntar-se ao seu gangue. O miúdo de dez anos estrangulou o miúdo de cinco anos com uma corda, encheu-lhe a boca com autocolantes, depois fechou-se na casa de banho e não saiu enquanto os pais não prometeram levá-lo à FunTimeZone, onde confessou o crime antes de mergulhar aos berros numa gaiola cheia de bolas de plástico. O público está a gritar ameaças aos pais do assassino enquanto os pais da vítima sugerem tolerância e misericórdia com tanta ênfase que a dada altura o público começa a ameaçá-los também.”  (in “Carvalho do Mar”, p. 113)

Texto da autoria de Jorge Navarro

terça-feira, 14 de março de 2017

A convidada escolhe: Contos Sublimes

De entre a extensa obra de Hermann Hesse, os vinte e sete contos que compôem esta colectânea foram escritos quando tinha e vinte e tal anos. São contos com temáticas muito variadas em que se percebe uma necessidade juvenil de reflectir sobre a vida, sobre o mundo, sobre o amor, sobre as angústias do crescimento. Certamente que muitos reflectem a própria vida do autor e as suas angústias enquanto membro de uma família muito religiosa e com padrões de vida e conduta demasiado rígidos e castradores, que o levaram mais tarde a romper com a família e seguir o seu próprio caminho.
São diversos os contos em que o personagem central é ora um menino solitário entregue á paixão pelo desenho, ou um jovem obrigado a frequentar o seminário e que encontra nos livros o escape para um futuro que não deseja, ou o jovem que corre mundo para aprender uma profissão começando por aprendiz até ser serralheiro. Mas, embora ainda jovem, o autor mostra em alguns contos uma capacidade de divagar e reflectir sobre a velhice, a decadência ou a solidão, mais próprios de um homem já avançado na idade.
A ideia da viagem, da errância, da descoberta de outras paragens é também um dos temas, ora como sinal de crescimento, ora como fuga, ora como descoberta pessoal, quer no contacto com outros, quer no encontro consigo mesmo. A literatura e a paixão pelos livros, a pintura e a música, para além de descrições de paisagens, verdadeiras pinturas cheias de detalhe que permitem ao leitor/a imaginá-las na sua diversidade e com a luz que lhes são próprias, consoante a hora ou a estação em que a acção decorre, são características destes contos que verdadeiramente me impressionaram.
Destaco aqui o último conto, talvez aquele de que mais gostei “Uma Viagem a Pé pelo Outono”. É um regresso ao passado, numa tentativa de reviver um período feliz da sua juventude, que me recordou aquela canção que diz que nunca se deve voltar ao lugar onde uma vez se foi feliz! O facto de o narrador fazer propositadamente a viagem a pé, para desfrutar desses lugares com uma memória precisa, encontrando pessoas que já não o reconhecem e que, entretanto, fizeram a sua vida e se modificaram, é um convite para o/a leitor/a o acompanhar nessa viagem, dada a forma soberba como as descrições da natureza, das paisagens, ambientes e situações reflectem não só o ambiente envolvente, mas o estado de espírito do viajante.
“O caminho seguia vale acima, acompanhando o ribeiro durante algum tempo e depois subindo em direcção ao cimo da floresta. Enquanto caminhava, ocorreu-me que no fundo tinha seguido sozinho por todos os caminhos, e não apenas nos meus passeios, mas em todos os passos da minha vida. Amigos e parentes, bons conhecidos e amores estavam sempre presentes, mas nunca me continham, nunca me preenchiam, nunca me desviavam para percursos diferentes daquele que eu próprio tinha escolhido. Talvez cada pessoa, seja ela como for, é como uma bola que foi atirada numa dada direcção, que segue um percurso há muito estabelecido ao mesmo tempo que pensa estar a forçar ou a provocar o destino. De qualquer modo, o “destino” reside em nós e não no exterior, o que dá à superfície da vida, aos acontecimentos visíveis, uma certa irrelevância. Aquilo que habitualmente nos pesa e que nos parece tão trágico torna-se então, muitas vezes, uma bagatela.”

Almerinda Bento
Março 2017

sábado, 11 de março de 2017

Na minha caixa de correio

        



A Serpente de Essex foi oferta de uma nova editora (Minotauro) que está a preparar novidades irresistiveis! Aguardem!
Os Preponderantes foi oferta de uma amiga pelo meu aniversário. Obrigada Vera!
Os restantes livros foram ganhos nos passatempos do JN.

quarta-feira, 8 de março de 2017

"O Leitor do Comboio" de Jean-Paul Didierlaurent


ADOREI! 

Sabem aquela sensaçāo de pena porque o livro está quase a acabar mas, ao mesmo tempo, somos dominados por uma impaciência devoradora que ataca os nossos sentidos, querendo saber como vai ser o final, torcendo para que acabe da forma como desejamos? Pois é, foi isso que me aconteceu com esta leitura que, volto a repetir, adorei!

Nas primeiras páginas, sem ter lido a badana do livro onde o início da história é resumido (já agora, aconselho-vos a fazer o mesmo!), nada me fazia esperar o tumulto que se sucedeu... Guylain, é um ser quase apático, sem sabor, que possui um trabalho que odeia. Trabalha numa fábrica de pasta de papel onde milhares de livros sāo destruidos para que alguns novos possam ser feitos. O trabalho é perigoso, embora enfadonho. Nāo fora o seu colega, versejador nato, e as suas horas de trabalho parecer-lhe-iam insuportáveis. Distrai os seus dias com visitas semanais a um velho amigo, amputado, que tem um sonho um pouco dificil de vos explicar e que vou deixar em suspense...

E agora vem o melhor: Guylain adora livros, adora ler. E no caminho para o trabalho, na viagem de comboio, lê em voz alta pequenos textos, residentes nas folhas soltas que ele salva, evitando serem devorados pela máquina "comedora de papel". 

De uma lucidez que encanta, possuidor dentro da história central, de pequenas histórias cheias de imaginaçāo, provenientes dessas folhas soltas que entretêm os passageiros, esta história superou grandemente as minhas expectativas. Com um humor fino e delicado, personagens com um conteúdo surpreendente, faz-nos lembrar que por detrás de um livro, está muitas vezes um mundo para descobrir. E nāo me refiro somente à história que ele contém, que nos faz viajar. O mundo dos livros é mais do que isso. A prova disso sāo todos os amigos que arranjei através desta paixāo e que nāo sāo poucos. Desde a existência deste blogue, já lá vāo mais de seis anos, que um leque de pessoas (e nem me refiro aos amigos virtuais) enche os meus dias com dicas, sugestões e opiniões. A todos eles, o meu obrigada! 

A este livro (que gostaria de ter escrito) que é um hino à leitura e ao amor pelos livros, um bem haja! 

Terminado em 4 de Março de 2017

Estrelas: 6*

Sinopse
O poder dos livros através da vida das pessoas que eles salvam. Um obra que é um hino à literatura, às pessoas comuns e à magia do quotidiano. Jean-Paul Didierlaurent é um contador de histórias nato. Neste romance conhecemos Guylain Vignolles, solteiro e bom rapaz, que leva uma existência monótona e solitária, contrariada apenas pelas leituras que faz em voz alta, no comboio das 6:27 para Paris. A rotina sensaborona do protagonista desta história muda radicalmente no dia em que, por mero acaso, do banquinho rebatível da carruagem salta uma pen drive que contém o diário de Julie, empregada de limpeza das casas de banho num centro comercial e uma solitária como ele... Esses textos vão fazê-lo pintar o seu mundo de outras cores e escrever uma nova história para a sua vida.

Cris

terça-feira, 7 de março de 2017

"Iluminações de Uma Mulher Livre" de Samuel Pimenta

Conhecendo e simpatizando com o autor, sinto que esta opiniāo poderá nāo ser isenta de todo mas, como vos estou a avisar de antemāo, isso deixa-me mais descansada e, assim, posso continuar com os meus pensamentos e deambular livremente pelo que senti ao ler este livro. 

Isabel, a protagonista principal, é uma mulher culta e inteligente que se deixou enredar num casamento onde o abuso e a opressão vão tomando conta do seu dia a dia. O amor transforma-se rapidamente em medo. E rapidamente a ideia de liberdade se sobrepõe a tudo e Isabel deseja ver-se livre do marido, nem que para isso tenha de o matar. Às vezes pensamos que os estudos impedem qualquer pessoa de se meter em situações idênticas, onde a vontade própria deixa de existir... Porém, a realidade é outra. Bem perto de nós encontramos siruações semelhantes a esta, tão bem descrita pelo autor.

Assim, e infelizmente, a temática deste livro é mais actual que o desejado. Com uma sensibilidade enorme, o autor consegue escrever na primeira pessoa como se dela se tratasse, fazendo com que o leitor se sinta mais próximo da personagem e dos conflitos que atravessa. 

A meu ver, muito embora perceba que deverá ser uma paixão do autor, reduziria algumas referências a figuras históricas e mitológicas, porque achei que me desviou da história central, muito embora perceba a razão da sua existência. Um livro sobre as mulheres, que um homem dá voz, através da voz de uma mulher sofrida que se consegue libertar das prisões que a impedem de se sentir bem.

Uma vez mais, o autor tráz-nos um tema actual (devem também ler Os Números que Venceram os Nomes)  e com muita perspicácia denuncia um tipo de violência que, infelizmente, é bastante comum nos nossos dias.

Força Samuel! O caminho é por aqui mesmo!

Terminado em 28 de Fevereiro de 2017

Estrelas:4*+

Sinopse
Na aldeia onde é rejeitada e perseguida pela população, Isabel acorda com a única ideia capaz de a libertar do casamento opressor em que vive: matar o marido. Se, de início, a ideia lhe parece improvável, vai ganhando força à medida que recorda as histórias das mulheres do passado, de que a avó lhe falava quando, com outras mulheres, se reuniam em grupos femininos secretos para falarem de oráculos, curas e magia.
Isabel é moderna, sensível, curiosa e sempre quis a sua independência. Cresceu na capital, mas mudou-se para a aldeia por causa do casamento. E foi essa união que a aprisionou numa existência de medo e abuso. Só ela pode libertar-se desse homem castigador, e ao longo de vários dias Isabel confronta-se com todos os receios e dúvidas, imaginando planos e lembrando-se dos ensinamentos da avó, procurando argumentos que fortaleçam a sua decisão, enquanto cumpre com todos os rituais quotidianos da casa com beleza e empenho poético.
luminações de uma Mulher Livre revisita histórias por via da tradição oral, figuras históricas, mitos e referências da literatura universal.

Para mais informações sobre este livro, consulte o site da Editorial Presença aqui.

Cris


segunda-feira, 6 de março de 2017

"Nem Tudo Será Esquecido" de Wendy Walker

Não querendo levantar a ponta do véu e, com isso, fazer com que na vossa leitura a surpresa que senti ao fim de algumas páginas se desvaneça, fico sem saber como explicar como achei este livro espectacular! Mas vejamos:

O autor soube muito bem explorar uma ideia, que, não sendo verídica (ainda!), torna-se verosímil porque os detalhes são apresentados de uma forma pormenorizada tornando muito interessante a narrativa. Após uma violação brutal é administrado a Jenny, uma adolescente, um fármaco que a faz esquecer os pormenores da agressão, pretendendo evitar, assim, o stress pós traumático. Até que ponto isso resulta e é benéfico? Como se consegue apanhar o agressor se a memória foi apagada e pequenos detalhes não podem ser lembrados?

Muito embora esses fármacos ainda não existam, estas questões são relevantes visto que, segundo o autor na explicação dada no final do livro, esses estudos estão a ser realizados e já existem medicamentos que são utilizados, sobretudo em soldados para evitar o stress pós traumático, a fim de alterar memórias factuais mitigando os seus efeitos pontuais nas suas atitudes.

Um livro onde as palavras não ficam por dizer, por vezes de forma dura mas muito real, e que me colocou em expectativa durante toda a sua leitura! Um "muito bom" ao papel especial que o autor atribuiu ao narrador! E mais não digo! Agarrem-se a este thriller psicológico bem depressinha se querem sentir emoções fortes! Eu fiquei agarrada a estas páginas. 

Terminado em 26 de Fevereiro de 2017

Estrelas: 5*
Sinopse
Na pacata cidade de Fairview, no Conneticut, a vida parecia perfeita até à noite em que um acontecimento trágico chocou a comunidade. Jenny Kramer, uma adolescente com quinze anos, é brutalmente violada depois de sair de uma festa. Os médicos decidem administrar-lhe um fármaco usado nos casos de patologias de stresse pós-traumático, eliminando as memórias do incidente. Contudo, nos meses seguintes, Jenny é surpreendida com sensações que a fragilizam psicologicamente, levando-a a tentar o suicídio. O pai, Tom, está determinado a descobrir o culpado e fazer justiça. A mãe, Charlotte, age como se nada tivesse acontecido.
Os pais de Jenny procuram a ajuda do psiquiatra, Alan Forrester. Nisto, o seu casamento é posto à prova, revelando segredos e fragilidades, bem como a teia que une toda a comunidade. Afinal, todos têm algo que não desejam revelar e a busca pelo violador conduz a um thriller psicológico com um desfecho inesperado e perturbante.
Nem Tudo Será Esquecido vai ser adaptado ao cinema pela Warner Brothers, contando com Reese Witherspoon na produção. 
Para mais informações sobre este livro, consulte o site da Editorial Presença aqui.
Cris

domingo, 5 de março de 2017

Ao Domingo com... Joana Santos Silva

Joana Santos Silva nasceu em 1987, em Cascais, onde reside atualmente.

Estudou Gestão Turística e Hoteleira, pelo Instituto Superior Politécnico Internacional, em Lisboa.

Como tantos outros jovens da sua geração, partiu em busca de uma vida melhor. Viveu três anos na Escócia. Ali trabalhou e estudou. Quando as saudades falaram mais alto, regressou a casa.

Trabalha em hotelaria num hotel de cinco estrelas. Encontra ainda tempo para continuar a investir na sua formação, frequentando o curso de Administrativo e Financeiro.

Cultiva desde a infância a paixão pela escrita e pelos animais. Joana vive com o seu noivo, três gatos e uma cadela.

"Oníria" são pedaços de uma vida, aconchegada entre o passado e o presente, entre o sono e o sonho. Inquietações que nos apanham de olhos ainda cerrados, desligadas da realidade apenas na medida certa.

Esta é uma obra de sobressaltos que podiam ser os nossos, povoada por desassossegos que são de todos. Feita de momentos que, ao romper da aurora, nos fazem seguir em frente.

Joana Santos Silva

sábado, 4 de março de 2017

Na minha caixa de correio

  

 

Oferta da Palneta, O Segredo de Vesálio e O Pai é Top.
Oferta da editora Guerra e Paz, Quando Perdes Tudo Não Tens Pressa de Ir a Lado Nenhum.
Oferta da Topseller, O Dia Em Que Te Conheci.
Comprado na livraria Lello pelo filho do meio para abater o preço da entrada, Antes de Te Conhecer.